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PF pede 90 dias a mais para investigar Dark Horse, rastrear US$ 24 milhões ligados a Daniel Vorcaro e esclarecer sete remessas ao Havengate

Polícia Federal solicita mais 90 dias para apurar financiamento de Dark Horse, tentando esclarecer origem, destino e contrapartidas de aportes ligados a Daniel Vorcaro e remessas internacionais

A Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, mais 90 dias para investigar suspeitas sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os investigadores querem concluir perícias contábeis e em celulares, e obter registros financeiros no exterior para entender por onde passaram os valores, e quanto foi efetivamente utilizado na produção.

O pedido, protocolado em 15/10, detalha pendências sobre remessas, contratos e depoimentos, conforme informação divulgada pela Polícia Federal.

Motivo do pedido e pendências principais

A prorrogação foi solicitada porque o prazo anterior da investigação havia terminado em 10 de outubro, e há diligências em aberto, incluindo um pedido de cooperação jurídica internacional para obter registros do fundo americano Havengate Development Fund e da Go Up Entertainment LLC.

A PF aponta que é necessário formalizar pedidos de documentos depois que a companhia recusou fornecê-los diretamente, e que ainda faltam perícias para confrontar as remessas com os recursos recebidos pela produtora brasileira.

Valores identificados e contratos analisados

Segundo a PF, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria se comprometido a aportar US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, na produção de Dark Horse.

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Os investigadores localizaram sete remessas da Entre Investimentos e Participações ao Havengate, entre fevereiro e setembro de 2025, que somam US$ 12,3 milhões, e identificaram divergências nos documentos apresentados pela Go Up Entertainment Ltda, que teria recebido US$ 2,8 milhões, equivalentes a R$ 14,8 milhões, conforme registros analisados.

As operações foram justificadas como empréstimos e faziam referência a um contrato de US$ 920 mil, mas o montante que entrou no Brasil foi cerca de três vezes maior, e a PF também encontrou referências a diferentes datas de assinatura e documentos sem data.

Depoimentos, contradições e documentos citados

O colaborador Antônio Carlos Freixo Júnior, ouvido em 1º de outubro, disse que a Entre Investimentos fez as sete remessas ao fundo a pedido de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e que a operação lhe havia sido apresentada como investimento em um fundo imobiliário americano.

Porém, a PF destaca que uma carta-acordo apresentada pelo próprio colaborador contém referência expressa à produção cinematográfica e prevê um compromisso de US$ 24 milhões, o que a corporação considera em “aparente contradição” com a versão de que Freixo desconhecia a finalidade dos recursos.

A polícia também questiona a origem do dinheiro usado na primeira remessa, já que, apesar da menção a recursos próprios ou crédito no Banco Master, a documentação registra um depósito de R$ 12 milhões feito pela Super Empreendimentos na véspera da transferência ao exterior.

Outras questões, posições e próximos passos

Há ainda dúvidas sobre pagamentos de locação, como o contrato do Hospital Indianópolis, em São Paulo, de R$ 92,2 mil, que previa depósitos em uma conta da RM77 Serviços Integrados, e para os quais faltam comprovantes de pagamento e esclarecimentos sobre as relações entre empresas.

A Ancine informou não ter localizado registro de captação de recursos públicos ou de incentivos fiscais federais para a obra, e autuou a produtora por realizar uma produção estrangeira no país sem a comunicação prévia obrigatória.

Tanto a Go Up quanto o deputado federal Mário Frias negaram ter recebido recursos de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas ligadas a ele. Flávio Bolsonaro tem dito que sua participação se limitou à busca de investimento privado para uma obra cultural sobre o pai, e negou ter dado contrapartidas aos recursos.

A defesa do senador também solicitou acesso integral aos autos. Antes de novos depoimentos, a PF pretende concluir a análise dos dados de Zettel e Freixo e a perícia contábil, e cabe ao ministro André Mendonça decidir sobre o pedido de prorrogação.

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