Fed de Kansas City alerta sobre inflação persistente e descarta visão transitória
O presidente do Federal Reserve (Fed) de Kansas City, Jeff Schmid, destacou a inflação elevada como a principal preocupação para as decisões de política monetária nos Estados Unidos. Em sua avaliação, a inflação está “muito alta e acima da meta há muito tempo”, o que exige cautela contínua das autoridades monetárias, que não devem “baixar a guarda”.
Schmid enfatizou que não dá muita importância à suposição de que a recente alta dos preços seja apenas um fenômeno transitório. Seu foco permanece firmemente na inflação para determinar o rumo correto da política monetária, buscando assegurar a estabilidade de preços em um cenário econômico desafiador.
As declarações foram feitas em um discurso preparado para a Reykjavik Economic Conference 2026, nesta sexta-feira. O alerta do dirigente do Fed reforça a necessidade de vigilância constante diante dos indicadores econômicos e das pressões inflacionárias que afetam o poder de compra dos consumidores americanos.
Impacto da guerra no Oriente Médio e preços de energia na inflação
O dirigente do Fed detalhou como a alta nos preços de energia, intensificada pela guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz, tem contribuído para o aumento da inflação. Embora o impacto direto tenha sido considerado “relativamente moderado”, ele foi suficiente para elevar os índices de preços.
“O CPI subiu 3,8% em 12 meses até abril, e os preços elevados da gasolina foram parte importante desse avanço, ainda que não tenham sido o único fator”, explicou Schmid. Ele ressaltou que, mesmo excluindo a energia, a inflação continua “quente”, indicando pressões generalizadas.
Economia americana resiliente, mas com atenção ao poder de compra
Apesar dos choques no comércio global e nos mercados de petróleo, a economia dos EUA demonstra resiliência. Schmid observou que a economia americana está menos exposta a choques energéticos do que no passado, o que atenua parte dos efeitos negativos.
No entanto, a alta do petróleo afeta o poder de compra. A “onda de ansiedade” mencionada por Schmid reflete essa preocupação em um ambiente econômico complexo, onde a inflação alta corrói o valor do dinheiro.
Mercado de trabalho em equilíbrio, com IA como fator secundário
Sobre o mercado de trabalho, Jeff Schmid descreveu-o como “em equilíbrio”. Ele apontou as contratações na área de saúde como um dos impulsionadores, mas também mencionou o impacto da inteligência artificial (IA).
Contudo, Schmid ponderou que a IA tem mostrado sinais de reduzir o ritmo de contratações sem necessariamente gerar demissões. “A baixa contratação é um fenômeno mais geral e não se deve apenas à IA”, afirmou, indicando que outros fatores também influenciam o cenário.
Compromisso do Fed com a estabilidade de preços e possíveis medidas restritivas
O presidente do Fed de Kansas City reiterou o compromisso da instituição com a estabilidade de preços. “Manteremos a disposição para tomar as medidas necessárias para cumprir nossos objetivos”, declarou.
Ele sinalizou que, embora a política monetária não esteja excessivamente restritiva no momento, pode ser necessário avaliar como torná-la mais restritiva para combater a inflação persistente. A vigilância sobre os indicadores econômicos continuará sendo crucial para as futuras decisões do Fed.