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Queda da bancada evangélica após pico de 2018, bolsonarismo incorporou pautas e enfraqueceu líderes da Universal, com fragmentos alinhados a Michelle Bolsonaro, diz FGV

Bancada evangélica registra redução de representatividade no Congresso, com queda de cerca de 120 para patamares muito menores e avanço do bolsonarismo sobre pautas conservadoras

A bancada evangélica no Congresso Nacional sofreu uma redução sensível nos últimos anos, depois de atingir seu ápice em 2018.

O historiador Guilherme Galvão Lopes, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, monitora deputados e senadores que fazem das pautas evangélicas uma bandeira política e identificou uma forte queda e fragmentação nesse grupo.

Os motivos, segundo o pesquisador, envolvem a absorção de agendas pelo bolsonarismo, a crise de confiança nas lideranças e o crescimento dos desigrejados, entre outros fatores, conforme levantamento e entrevista com o historiador Guilherme Galvão Lopes, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas.

Dados, recuo e números precisos

O levantamento de Galvão Lopes mostra que a bancada atingiu o ápice nas eleições de 2018, com cerca de 120 parlamentares eleitos entre deputados e senadores.

Na eleição seguinte houve queda, e o pesquisador destaca que, de forma preliminar, em relação aos reeleitos, “nós tínhamos um quantitativo de 96 evangélicos eleitos em 2022, nós temos agora apenas 51 parlamentares reeleitos”.

Esse movimento indica uma saída do patamar próximo de 100 para o patamar de 50 parlamentares reeleitos, mesmo contando com retornos e novos eleitos que ainda serão mapeados pelo pesquisador.

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Hipóteses para a fragmentação da bancada

Galvão Lopes aponta três fatores principais para o encolhimento e a fragmentação da bancada evangélica, entre eles a incorporação das pautas evangélicas pelo bolsonarismo, que passou a disputar o mesmo eleitorado com maior viabilidade eleitoral.

Ele também cita a crise de confiança nas instituições e nas lideranças religiosas, e o crescimento dos desigrejados, que altera a dinâmica do voto religioso.

Sobre a incorporação pelas forças bolsonaristas, o historiador afirma, “Acabou que o bolsonarismo engole essas pautas e diante da escolha em relação a uma candidatura que tem maior viabilidade em pautar, em impor certas agendas à sociedade e um discurso que se resume ao discurso apenas dentro de um espaço muito restrito de uma igreja vocal, de uma igreja evangélica, o eleitor evangélico que prefere votar na primeira candidatura”.

Exemplos práticos e desdobramentos regionais

Algumas denominações que dominavam a representação desde 1986 foram fortemente afetadas, segundo o pesquisador. A Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R. R. Soares, apresentaram perdas relevantes.

Galvão Lopes destaca que, nesta eleição, nenhum dos filhos do missionário R. R. Soares conseguiu renovar mandatos e que a Universal também teve um decréscimo importante.

Em Minas Gerais, por exemplo, a bancada evangélica foi de nove para sete deputados, e entre os sete, quatro são do PL. O pesquisador lembra que a renovação de mandatos de lideranças como Lincoln Portela só ocorreu em razão do desempenho de votos de nomes como Nikolas Ferreira.

Sobre Nikolas, o texto original menciona que ele alcançou cerca de 27% dos votos, e que esse número foi decisivo para manter representantes históricos na Câmara.

Deslocamento histórico da esquerda para a direita e o vácuo da interlocução

Galvão Lopes traça a trajetória da bancada evangélica desde a sua formação no início dos anos 2000, quando esteve mais próxima de blocos de esquerda, até o deslocamento para patamares conservadores a partir de 2013 e 2014.

Ele afirma que, na virada do século, havia um bloco ligado ao PT e ao governo Lula, e que a visibilidade da pauta conservadora cresceu a partir de 2013, com um sentimento de inconformidade na sociedade.

O pesquisador também identifica um vácuo de comunicação da esquerda com os evangélicos, que facilitou a ação do segmento ultraconservador, que soube antecipar e adaptar seu discurso às demandas desse eleitorado.

Para Galvão Lopes, a combinação entre maior viabilidade eleitoral do bolsonarismo, a autonomia crescente do eleitor evangélico em relação às orientações de pastores, e a transformação do mapa religioso do país explicam grande parte da mudança observada no Congresso.

O resultado é uma bancada mais fragmentada, com perda de peso institucional e com agrupamentos que podem se reorganizar em torno de novas lideranças, incluindo trajetos políticos ligados a nomes do bolsonarismo e a figuras emergentes do meio evangélico.

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