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Regime do Irã pode sobreviver aos ataques dos EUA e Israel, mas morte de Khamenei e destruição aérea alteram profundamente o equilíbrio do Oriente Médio e o futuro nuclear

O Irã sofreu ataques aéreos massivos que destruíram centros de comando e causaram baixas entre seus líderes militares, ainda que a estrutura do poder não deva ruir da noite para o dia.

Os dirigentes sobreviventes podem recompor a hierarquia, mas o custo político e material é grande, e a capacidade regional de Teerã está seriamente comprometida.

A curto e médio prazo, a guerra se mantém incerta, com risco de expansão que afetará preços de energia, rotas marítimas e alianças regionais.

conforme informação divulgada pelo The New York Times.

Por que o regime pode continuar, apesar do dano

O Irã construiu um sistema político e de segurança ao longo de 47 anos, com uma complexa rede de instituições clericais, militares e milícias, o que impede uma implosão imediata apenas por força aérea.

O comando será reconstituído, e lideranças militares derrotadas podem ser substituídas, o que dá margem ao regime para absorver choques, reorganizar a defesa e resistir a pressões externas.

Ao mesmo tempo, o país conserva capacidade de retaliação, incluindo um arsenal de mísseis e redes de aliados não estatais na região, o que mantém viva a possibilidade de escalada.

O impacto estratégico, segundo analistas

Sanam Vakil, diretora do Programa para Oriente Médio e Norte da África do Chatham House, foi categórica, ela disse, “A República Islâmica como a conhecemos não vai sobreviver a isso”, e ainda afirmou, “O Oriente Médio não será mais o mesmo”.

Para Vakil, a queda na influência de Teerã pode acelerar uma recomposição política interna, com foco em disputa pelo poder, segurança doméstica e uma economia em colapso.

Ellie Geranmayeh, do Conselho Europeu de Relações Exteriores, afirma que o Irã tentará “aumentar rapidamente o custo para Israel, Estados Unidos e seus aliados no Golfo, para forçá-los a recuar antes que isso consiga desestabilizar o regime”.

Além disso, Vali Nasr escreveu, “O objetivo do Irã agora é absorver os ataques de EUA e Israel, manter sua posição e sinalizar uma expansão da guerra, enquanto espera que atores regionais preocupados mediem um cessar-fogo”.

Ali Vaez, do International Crisis Group, alertou, “Se o Hezbollah se engajar completamente a partir do Líbano, se milícias atacarem bases americanas no Iraque e na Síria, ou se os houthis escalarem no mar Vermelho, isso deixa de ser um conflito bilateral e se torna uma guerra regional que atravessa todo o Oriente Médio”.

Consequências imediatas e riscos econômicos

Se o conflito se expandir, há impacto direto nos mercados de energia, com potencial de alta nos preços do petróleo e aumento da inflação global, sobretudo se o Estreito de Ormuz for afetado.

A presença de proxies iranianos, como Hezbollah no Líbano, Hamas na Faixa de Gaza, e houthis no Iêmen, eleva o risco de ataques em múltiplas frentes, o que transforma um confronto bilateral em um conflito regional.

Governos do Golfo e outros atores sunitas terão de recalibrar suas relações com Israel e com potências externas, diante de uma nova realidade em que o poder iraniano está reduzido, mas ainda perigoso.

Cenários para o futuro do Irã e da política nuclear

O regime pode emergir mais enfraquecido e focado internamente, com a elite tentando evitar fragmentação e consolidar nova liderança, o que reduziria a projeção externa do Irã por meses ou anos.

Por outro lado, se uma liderança dominada pela Guarda Revolucionária assumir o controle, o país pode se tornar ainda mais hostil a Washington e a Israel, e adotar postura mais agressiva no campo nuclear.

Não está claro se um governo mais moderado cederia no programa nuclear depois de ser atingido, ou se a desconfiança em relação aos EUA, especialmente após a ruptura do acordo nuclear em 2018 e ataques recentes, tornaria a negociação impossível.

O futuro pode passar por três trilhas, a saber, estabilização interna com menor projeção externa, resistência prolongada por meio de milícias e retaliação assimétrica, ou uma corrida acelerada para capacidades nucleares caso a liderança entenda ser necessário garantir dissuasão.

O ajuste regional e a nova geopolítica

Com o enfraquecimento do Irã, Israel se coloca em posição dominante, enquanto países sunitas terão de se ajustar à nova correlação de forças, possivelmente normalizando relações de fato com a presença israelense consolidada.

Ao mesmo tempo, oportunidades podem surgir para nações e movimentos locais, como no Líbano, entre palestinos e na Síria, caso a influência iraniana diminua.

Mas o caminho é incerto, e a região pode ver períodos prolongados de violência, pressão econômica e negociações diplomáticas complexas, com atores externos tentando mediar cessar-fogo ou impor acordos.

Em suma, o Regime do Irã pode, em tese, sobreviver aos ataques recentes, porém a estrutura de poder e a influência regional já foram atingidas, e o Oriente Médio deve experimentar mudanças profundas e duradouras nas próximas semanas e anos.