Renan Santos apresenta projeto de “civilização tropical” e busca romper com o passado em sua candidatura à Presidência.
Em um discurso que se estendeu por mais de uma hora, Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo recém-criado Partido Missão, delineou neste sábado (1º) sua campanha não apenas como uma lista de propostas, mas como um movimento para forjar uma nova “civilização tropical” no Brasil.
O presidenciável enfatizou a necessidade de reposicionar o país no cenário internacional e formar uma geração capaz de superar o que ele considera “os fracassos das últimas décadas”. A proposta central foi apresentada através do chamado “Livro Amarelo”, um documento que transcende um plano de governo tradicional.
Segundo Renan Santos, o “Livro Amarelo” é a “base do que será disputado nas urnas”, funcionando como uma doutrina para “governar, construir e civilizar” o Brasil, impulsionando reformas econômicas profundas, mudanças institucionais e uma redefinição estratégica da posição brasileira no mundo. Conforme informação divulgada no evento de lançamento, a estratégia busca apresentar o Partido Missão como uma alternativa simultaneamente antipetista e antibolsonarista, sem aderir ao discurso da “terceira via”.
“Livro Amarelo”: Doutrina para uma Nova Nação
O “Livro Amarelo” emerge como o pilar conceitual da campanha de Renan Santos. Em vez de focar em medidas setoriais, a narrativa construída visa uma transformação nacional, ancorada em conceitos como desenvolvimento, disciplina, produtividade e um projeto de longo prazo. Renan Santos argumenta que o Brasil não pode mais se contentar com “remendos” ou reformas incrementais.
Para ele, são necessárias mudanças estruturais que alterem o modelo econômico, a cultura e a organização social do país. A visão é de um Brasil que abandone soluções graduais em favor de transformações profundas e duradouras.
Um Projeto para as Próximas Gerações: “Geração do Sacrifício”
Um dos eixos centrais do discurso foi a apresentação da candidatura como um projeto voltado para as próximas gerações, com foco em resultados a longo prazo, e não em ganhos imediatos. Renan Santos comparou a necessidade de sacrifícios no Brasil aos realizados por países asiáticos durante seus processos de industrialização.
Citando exemplos como a Coreia do Sul e a China, ele defende que o Brasil precisa aceitar um período de esforço intenso para entregar às crianças nascidas a partir de 2027 um país significativamente mais desenvolvido. As promessas incluem escolas públicas de melhor qualidade, cidades sem favelas, redução da criminalidade, pais mais presentes na criação dos filhos, geração de empregos formais e crescimento econômico sustentado.
Posicionamento Fora do Eixo Tradicional e Visão de Desenvolvimento
Renan Santos buscou ativamente posicionar sua candidatura fora dos polos tradicionais da política nacional, rejeitando a classificação de “terceira via” e afirmando que o Partido Missão construiu “o próprio caminho, com as próprias ideias”. Ele criticou tanto o PT, responsabilizando-o por problemas econômicos e sociais, quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro.
Em um momento contundente, Renan chamou Flávio Bolsonaro de representante de uma “farsa do bolsonarismo”, argumentando que sua candidatura favoreceria uma nova vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de a segurança pública ter sido um tema relevante, o desenvolvimento foi o conceito organizador do projeto político. Renan defende a reindustrialização, ampliação da infraestrutura, exploração de recursos naturais com valor agregado, fortalecimento da produção nacional e investimentos em tecnologia.
Indústria Cultural e “Soft Power” Tropical
Na área cultural, Renan Santos propõe que o Brasil invista em uma indústria de “soft power”, inspirada no modelo sul-coreano. O objetivo é exportar produtos culturais e substituir a imagem internacional associada às favelas por uma identidade mais moderna e desenvolvida. A ideia é transformar o Nordeste em uma grande zona econômica especial, impulsionando empregos, agronegócio, data centers e a produção de biocombustíveis.
A candidatura, mais do que um programa detalhado, busca construir uma identidade política baseada na noção de uma “missão histórica”. Termos como “civilizar”, “construir”, “geração do sacrifício”, “projeto de futuro” e “civilização tropical” foram repetidos, compondo uma narrativa onde a eleição de 2026 representaria uma escolha entre a continuidade do modelo atual ou o início de um novo ciclo de desenvolvimento nacional. As propostas, embora abrangentes em diversas áreas, foram apresentadas como objetivos amplos, com menor detalhamento sobre instrumentos legais, custos ou cronogramas de execução, marcando o tom do evento.

