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Reta final da campanha: o que as pesquisas de setembro mostram sobre Lula e Flávio Bolsonaro

A um passo da eleição presidencial marcada para 4 de outubro, o mês de setembro de 2026 concentrou uma sequência intensa de pesquisas eleitorais, todas apontando na mesma direção: uma disputa cada vez mais apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Os institutos Quaest, Datafolha, Nexus/BTG, PoderData, AtlasIntel e CNT/MDA divulgaram levantamentos ao longo do mês, e embora os números variem de instituto para instituto, o movimento de aproximação entre os dois principais nomes é consistente em quase todos eles.

O retrato mais recente: Quaest

A pesquisa mais atual, feita pela Quaest entre os dias 17 e 20 de setembro com 2.004 entrevistados, mostra Lula à frente no primeiro turno com 37% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro. A diferença de quatro pontos fica dentro da margem de erro de dois pontos, o que caracteriza tecnicamente um empate.

O dado que mais chamou atenção nesse levantamento foi o cenário de segundo turno: pela primeira vez, Flávio aparece numericamente à frente de Lula, com 42% contra 41%.

Ainda que a diferença de apenas um ponto configure empate técnico, é a primeira vez que essa inversão aparece nas pesquisas da Quaest — em rodadas anteriores, feitas no fim de agosto e início de setembro, Lula ainda vinha na frente também no segundo turno.

Vale destacar que essa inversão é específica da disputa contra Flávio. Nos demais cenários simulados de segundo turno pela Quaest, contra nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), Lula segue na liderança, ainda que também dentro da margem de erro em alguns casos.

Outros institutos confirmam a tendência de aproximação

O movimento de estreitamento da distância entre os dois candidatos não aparece só na Quaest. A Datafolha, que entrevistou 2.002 pessoas nos dias 22 e 23 de setembro, e a Nexus/BTG Pactual, com 2.006 entrevistas entre 18 e 20 de setembro, também registraram cenários de primeiro turno mais disputados do que em pesquisas de meses anteriores, quando Lula costumava abrir vantagens maiores.

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Já o PoderData, com uma amostra maior — 3.000 entrevistados entre 20 e 23 de setembro —, e a AtlasIntel seguem linhas um pouco diferentes. A AtlasIntel, em particular, é o instituto que mostra o cenário mais favorável a Lula entre os citados: o presidente aparece com 43% no primeiro turno, com uma vantagem de cerca de 5,6 pontos percentuais sobre Flávio. Nas simulações de segundo turno feitas pela AtlasIntel, Lula só venceria com folga contra candidatos de menor expressão nas pesquisas, como Renan Santos e Augusto Cury; contra Flávio, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, o resultado também fica dentro da margem de erro.

Essa diferença entre institutos é normal e esperada — cada um usa metodologia própria, tamanho de amostra e forma de abordagem (presencial, telefônica ou online), o que pode gerar variações de alguns pontos percentuais. Ainda assim, o padrão geral de setembro é claro: a distância entre Lula e Flávio Bolsonaro diminuiu em relação ao que se via em julho e agosto.

Por que o segundo turno virou o centro das atenções

Historicamente, pesquisas de segundo turno tendem a ser mais voláteis que as de primeiro turno, porque dependem de um cenário hipotético que nem sempre se confirma. Mas o fato de a Quaest — um dos institutos mais acompanhados do ciclo eleitoral — ter registrado a primeira inversão numérica a favor de Flávio nesse cenário específico deu força à narrativa de que a corrida presidencial entrou em sua fase mais indefinida.

Isso ajuda a explicar por que a política tem dominado as conversas nas redes sociais nesta reta final: qualquer nova pesquisa, mesmo dentro da margem de erro, é lida como um sinal de para qual lado o vento está soprando a poucos dias da votação.

O que vem a seguir

Com a votação de primeiro turno marcada para 4 de outubro e um eventual segundo turno previsto para 25 de outubro, caso nenhum candidato atinja maioria absoluta dos votos válidos, a expectativa é de que novas pesquisas continuem sendo divulgadas quase diariamente até a véspera da eleição. Cada nova rodada tende a ser tratada como um novo capítulo dessa disputa que, segundo o conjunto de institutos consultados em setembro, segue mais equilibrada do que em qualquer outro momento do ano eleitoral.

Metodologia (pesquisa Quaest citada como referência principal): 2.004 entrevistados entre 17 e 20 de setembro de 2026, contratada pela Editora Globo e Globo Comunicação e Participações S.A. Nível de confiança de 95%, margem de erro de dois pontos percentuais, registro no TSE sob o número BR-06004/2026.

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