Mercado corporativo de São Paulo antecipa tendências com retrofit e pré-locação em alta
O dinâmico mercado de lajes corporativas em São Paulo se mantém aquecido, mesmo com um volume considerável de novas entregas previstas. A percepção geral entre especialistas do setor é de que a demanda continua robusta, capaz de absorver a maior parte desses novos espaços. Essa análise foi compartilhada por Sergio Hilário, diretor de growth da Colliers, em sua participação no programa Liga de FIIs.
Com um pipeline de aproximadamente 300 mil metros quadrados projetados para 2026, a concentração de novas entregas em áreas já consolidadas, como Rebouças, Chucri Zaidan e Chácara Santo Antônio, é um fator chave. Essa estratégia de desenvolvimento em regiões de alta demanda tende a mitigar o risco de um aumento acentuado na vacância, garantindo que os investimentos sejam direcionados para locais com maior apelo para os investidores.
Hilário destacou que, diferentemente do passado, as empresas estão agora considerando uma gama mais ampla de fatores na escolha de seus escritórios. Além da localização e do preço, a **infraestrutura urbana**, o **acesso ao transporte público** e a **capacidade de atrair talentos** ganharam peso significativo nas decisões corporativas. Essa mudança reflete um novo cenário onde o bem-estar e a conveniência dos colaboradores se tornaram prioridades.
Um dos movimentos mais notáveis é o crescimento das pré-locações em lajes corporativas, uma prática antes mais comum no setor logístico. Segundo Hilário, parte dos ativos que ainda estão em construção já contam com negociações avançadas. Empresas que necessitam de áreas maiores e não encontram disponibilidade imediata no mercado atual estão, portanto, voltando seus olhares para o mercado futuro, buscando garantir seus espaços através de pré-locações.
Novos Critérios para Escolha de Escritórios
A escolha de um novo escritório em São Paulo vai além das características tradicionais do imóvel. Fatores como o acesso facilitado ao transporte público, especialmente em regiões como Pinheiros e Rebouças, tornaram-se decisivos para atrair profissionais mais jovens. Hilário ressalta que nenhuma empresa hoje ignora a qualidade da infraestrutura de transporte público no entorno de um imóvel.
O padrão do prédio, que antes era o principal diferencial competitivo, agora é apenas um dos quesitos. As empresas avaliam o que o empreendimento oferece além de especificações técnicas como pé-direito e eficiência de laje. Questões como a presença de áreas de descompressão e diferenciais de transporte no térreo ganham relevância, mostrando uma evolução na forma como os espaços corporativos são concebidos e utilizados.
Retrofit Ganha Força com Reposicionamento de Ativos
Outro tema em destaque é o avanço dos projetos de **retrofit** e reposicionamento de ativos corporativos. Essa tendência, já consolidada em mercados como o Rio de Janeiro, onde edifícios corporativos têm sido convertidos para uso residencial, começa a ganhar espaço em São Paulo. Essa estratégia de adaptação de imóveis existentes contribui para a renovação do parque imobiliário e para a otimização do uso do espaço urbano.
Hilário explicou que a diminuição do estoque de prédios corporativos no Rio de Janeiro, por exemplo, não se deve à demolição de edifícios, mas sim à sua reclassificação e adaptação para novas finalidades. Essa abordagem de **retrofit** demonstra a flexibilidade e a capacidade de adaptação do mercado imobiliário corporativo às novas demandas e realidades econômicas.