A Rumo (RAIL3) registrou um rali forte no último mês, reduzindo parte da defasagem frente a concorrentes rodoviários, mas analistas mantêm cautela sobre sustentabilidade do movimento.
O avanço recente foi impulsionado por volumes robustos no início do ano e por um posicionamento técnico que deixou o papel com baixa alocação de investidores, segundo relatórios do mercado.
Na prática, investidores precisam conciliar ganhos de curto prazo com projeções operacionais e riscos regulatórios que podem moldar o desempenho até 2026, entenda a seguir.
conforme relatório do JPMorgan e do Itaú BBA
Por que houve o rali e o que o mercado está avaliando
O JPMorgan atribui a alta recente a “fortes volumes de janeiro, com avanço de 55% na comparação anual”, e a fatores técnicos, como “com cerca de 6% das ações em posição vendida (short interest) e baixa alocação dos investidores no papel”.
Apesar do rali, o banco manteve recomendação neutra para Rumo, e “reduziu o preço-alvo para dezembro de 2026 de R$ 20,00 para R$ 19,50.”
Por outro lado, o Itaú BBA reiterou “recomendação de compra para a Rumo, com preço-alvo de R$ 19”, apoiado em sinais positivos de demanda e notícias da ESALQ-LOG.
Projeções operacionais e números que pesam na avaliação
O JPMorgan projeta crescimento de volumes, “Para 2026, o JPMorgan projeta volumes de 91,1 bilhões de RTK (tonelada-quilômetro útil), o que representa alta de 8% em relação ao ano anterior.”
Ao mesmo tempo, o banco alerta para pressão sobre yields, com expectativa de “queda de 4% ano a ano” na Operação Norte, mesmo com alta do frete rodoviário no Mato Grosso.
Para o 4T25, o JPMorgan estima “EBITDA de R$ 1,8 bilhão, 2% abaixo do consenso de mercado, com receita líquida de R$ 3,248 bilhões e lucro líquido de R$ 425 milhões.”
No consolidado de 2025, a projeção é de “EBITDA de R$ 8,028 bilhões, ligeiramente abaixo do guidance, entre R$ 8,1 bilhões e R$ 8,7 bilhões.” Para 2026, o banco projeta “EBITDA de R$ 8,358 bilhões e lucro líquido de R$ 2,071 bilhões.”
Em valuation, a ação “negocia a 6,1 vezes EV/EBITDA projetado para 2026” e a “taxa interna de retorno real (TIR) estimada é de 11,5%.”
Riscos societários e regulatórios que podem mudar a trajetória
No campo societário, mudanças no controle podem gerar pressão por maior geração de caixa e otimização do CapEx, especialmente após a entrada de novos acionistas da Cosan, BTG Pactual e Perfin.
O JPMorgan observa também a possibilidade de um investimento da Ultrapar, que poderia ser visto como positivo, embora com impacto limitado no curto prazo.
Em termos regulatórios, a concessão da Malha Oeste “vence em junho de 2026”, e a Rumo possui “R$ 2,7 bilhões provisionados para essa concessão”, com um encontro de contas esperado ao término do contrato. A Malha Sul “vence em fevereiro de 2027” e também deve ser relicitada, e o impacto dependerá do formato final dessas renovações ou reestruturações.
Cenário de fretes, safra e impacto nos volumes
O cenário de fretes é um ponto-chave para Rumo, por afetar preços e fluxo entre modais. A ESALQ-LOG aponta expectativas claras, incluindo “(i) volumes fortes de safra de soja e milho em 2026, acompanhados de exportações recordes; (ii) maior competitividade do porto de Porto de Santos em relação ao Arco Norte, diante de gargalos de infraestrutura e custos mais elevados no Norte; (iii) alta de 5% a 10% nos fretes rodoviários em 2026, sustentada por demanda favorável; e (iv) aumento também no frete ferroviário, embora em magnitude menor, entre 0% e 5% ao ano.”
Na prática, as tarifas rodoviárias “já operam cerca de 8% a 9% acima do mesmo período do ano passado em janeiro e fevereiro, com expectativa de avanço anual entre 5% e 10%”, enquanto o frete ferroviário “deve subir entre 0% e 5%.”
Operadores ferroviários tendem a priorizar crescimento de volumes em vez de aumentos acentuados de tarifa, o que pode limitar ganhos de preço para Rumo, mesmo com demanda mais forte.
Para investidores, o balanço entre expectativa de volumes maiores e pressão sobre yields, aliado a riscos regulatórios e à disciplina de capex da companhia, será determinante para avaliar se o rali recente tem sustentação até 2026.