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Venda da Ipiranga: Ultrapar contrata BTG para assessorar possível desinvestimento, TotalEnergies e Saudi Aramco aparecem como interessados, valuation pode superar R$ 25 bilhões

Ultrapar contratou o BTG para estudar a venda da Ipiranga, potenciais interessados incluem TotalEnergies, Saudi Aramco e J&F, e bancos projetam valuation elevado em cenário de reprecificação do setor

Ultrapar contratou o BTG para assessorar uma eventual venda da Ipiranga, braço de distribuição de combustíveis do grupo, em um movimento que reacende especulações sobre mudanças estratégicas na companhia.

O rumor sobre a busca por comprador aumenta o interesse de investidores domésticos e estrangeiros, em especial após avanços na fiscalização contra a informalidade no setor de combustíveis, o que melhora a atratividade dos grandes players.

O episódio também reacende discussões sobre o uso dos recursos em potenciais operações, como participação na Rumo ou compra total de ativos logísticos e de transporte, conforme informação divulgada pelo jornal O Globo.

Por que a Ultrapar estaria avaliando a venda da Ipiranga

Fontes consultadas indicam que a contratação do BTG visa estruturar um processo de venda ou de busca por sócios estratégicos, numa fase em que a Ultrapar tem reestruturado ativos e feito aquisições relevantes, como a da Hidrovias do Brasil.

O Goldman Sachs observa que, com a agenda de combate à informalidade na distribuição de combustíveis, a dinâmica competitiva favorece players formais, e que isso, combinado à entrada de recursos em ações domésticas, “contribuiu para a reprecificação das distribuidoras de combustíveis e de suas holdings sob cobertura.”

Quem são os potenciais compradores

Segundo a reportagem, empresas como TotalEnergies, Saudi Aramco e a J&F Investimentos teriam iniciado conversas com a Ultrapar sobre a venda da Ipiranga, o que amplia o universo de compradores para além de grupos brasileiros.

O interesse estrangeiro ganha força porque a Saudi Aramco vem adquirindo distribuidoras em outros mercados emergentes, como Peru e Chile, o que sugere que o Brasil pode voltar ao radar estratégico de grandes petrolíferas.

Valuation e números citados pelas instituições

O Goldman Sachs projeta um “Ebitda de aproximadamente R$ 4,2 bilhões para a Ipiranga em 2026.”

Já o Bradesco BBI estima que a “faixa de valuation de uma eventual transação poderia ficar entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões, considerando um múltiplo de 6 a 7 vezes EV/Ebitda (Valor da Firma sobre Ebitda).”

O BBI também destaca que, embora a venda pudesse gerar caixa, dificilmente seria necessária apenas para financiar uma aquisição de cerca de 15% da Rumo, fatia avaliada em aproximadamente R$ 4,5 bilhões, o que indica que a Ultrapar poderia mirar movimentos mais ambiciosos.

Possíveis desdobramentos estratégicos

Entre as hipóteses levantadas pelo mercado, o BBI cita duas opções, venda da Ipiranga para levantar capital para aquisições maiores, ou readequação do portfólio: 1) a “aquisição total da Rumo, transação que poderia girar em torno de R$ 35 bilhões, considerando a cláusula de poison pill de 15%”; 2) o “fechamento de capital da Hidrovias do Brasil, o que demandaria cerca de R$ 2,5 bilhões, dado que a Ultrapar já detém 55% da empresa.”

Para o setor, um movimento dessa magnitude não é visto no Brasil há pelo menos 20 anos, segundo o BBI, e poderia ajudar a consolidar valuations mais elevados para as distribuidoras, com impacto também sobre pares como Vibra Energia e Raízen.

Reações do mercado e próximos passos

O mercado monitora se a Ultrapar avançará com processo formal de venda da Ipiranga ou se a operação terá caráter exploratório, buscando sondar interesse e obter valuation de referência.

Analistas seguem atentos às próximas movimentações, tanto da Ultrapar quanto de potenciais compradores, e a evolução do quadro regulatório e fiscalizador contra a informalidade, fatores que podem acelerar ou esfriar negociações envolvendo a venda da Ipiranga.

As informações sobre a contratação do BTG e os nomes dos potenciais interessados foram divulgadas pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e os dados e avaliações financeiras citados têm origem em levantamentos do Goldman Sachs e do Bradesco BBI, conforme reportagens citadas acima.