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São Paulo: Clube rescinde com Milclean após auditoria e cobra R$ 1 milhão na Justiça por falhas em contrato de limpeza

São Paulo cobra R$ 1 milhão da Milclean após rescisão de contrato por justa causa

O São Paulo Futebol Clube rescindiu o contrato com a empresa de limpeza Milclean após uma auditoria interna constatar graves irregularidades. O clube ajuizou uma ação judicial cobrando R$ 1 milhão da Milclean, alegando descumprimento contratual por justa causa.

A empresa, que prestava serviços de limpeza na sede social do clube, foi acusada de fornecer um número de funcionários significativamente inferior ao estipulado em contrato. Essa prática, segundo o São Paulo, gerou prejuízos financeiros e motivou a ação judicial.

A Milclean não respondeu às tentativas de contato da reportagem para comentar o caso. O São Paulo busca reaver valores pagos indevidamente e responsabilizar a empresa pelas falhas na prestação do serviço, conforme divulgado pelo Estadão.

Falhas no contrato e cobrança judicial

Conforme a ação movida pelo São Paulo, a Milclean descumpriu o acordo ao fornecer menos funcionários do que o previsto. O contrato previa uma tolerância de até 60 ausências mensais, mas a auditoria identificou entre 1,3 mil e 1,5 mil faltas por mês desde setembro de 2024. Isso demonstra um **desfalque expressivo de mão de obra**.

Em sua defesa, a Milclean alegou “dificuldades operacionais” e um “reequilíbrio financeiro”, além de ter gasto R$ 398 mil em equipamentos para substituir funcionários, citando dificuldades em encontrar mão de obra e a implementação de benefícios de assiduidade. No entanto, o clube afirma que essas medidas não foram autorizadas e que os equipamentos sequer foram utilizados.

O São Paulo tentou resolver a situação extrajudicialmente, por meio de reuniões e notificações, buscando restabelecer o serviço e reaver os valores pagos a mais. Sem sucesso, o clube ingressou com a ação judicial. A cobrança totaliza R$ 615,4 mil por não cumprimento do contrato e R$ 2 milhões por restituição de valores pagos além do serviço efetivamente prestado, entre setembro de 2024 e março de 2026.

Considerando um débito de R$ 1,6 milhão referente a serviços prestados entre janeiro e março de 2026, que ainda não foram quitados, o valor remanescente cobrado do clube de limpeza é de R$ 1 milhão.

Detalhes do contrato e a relação com a FPF

O contrato original, assinado no final de 2024 pelo ex-presidente Júlio Casares, previa um pagamento mensal de cerca de R$ 570 mil para a Milclean, garantindo 96 funcionários por dia para a limpeza da sede social. O acordo tinha validade até 14 de junho de 2027.

A Milclean, fundada em 1998, teve um crescimento notável, declarando R$ 20 milhões em 2018. A empresa pertence a Otávio Alves Corrêa Filho, que também é dirigente do Taubaté. Curiosamente, Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) e ex-presidente do Taubaté, foi sócio da Milclean até 2021, quando vendeu sua participação por R$ 3,9 milhões.

Em janeiro, quando o déficit de funcionários foi revelado, Bastos declarou não ter mais vínculo societário com o proprietário da Milclean, referindo-se a ele como “antigo amigo”. Na época, o São Paulo informou que a Milclean foi a vencedora por apresentar o menor custo, enquanto a empresa admitiu o não cumprimento do mínimo de funcionários estipulado.

Investigações em andamento

A situação da Milclean é do conhecimento da força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, que investiga o clube. Atualmente, o foco principal das investigações está no uso irregular de camarotes no Morumbi, mas a questão da Milclean também está sob observação.