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Seguros, Finanças e TI Impulsionam Setor de Serviços em Janeiro: Veja as Perspectivas para 2026

Setor de Serviços Inicia 2026 com Alta de 0,3%, Impulsionado por Seguros, TI e Correios

O setor de serviços do Brasil iniciou o ano de 2026 com um desempenho positivo, registrando um crescimento de 0,3% na receita em janeiro. Este resultado reverte a leve queda observada em dezembro (-0,2%) e sinaliza um início de ano aquecido para a economia, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A expansão em janeiro foi impulsionada principalmente por atividades como seguros, tecnologia da informação (TI) e serviços de correios, demonstrando a força desses segmentos no cenário econômico atual. Analistas preveem que, apesar de possíveis desacelerações ao longo do ano, o setor de serviços continuará sendo um motor importante para o crescimento econômico brasileiro.

O aquecimento do mercado de trabalho e a expectativa de maiores transferências fiscais ao longo do ano também contribuem para o otimismo. Economistas não antecipam mudanças bruscas no cenário em 2026, mantendo uma visão de continuidade para a trajetória de expansão do setor. As informações foram divulgadas pelo IBGE nesta sexta-feira.

Destaques Setoriais e Recuperação em Janeiro

Três das cinco atividades investigadas pelo IBGE apresentaram alta em janeiro. O setor de outros serviços, com crescimento de 3,7%, foi o grande destaque, recuperando parte da perda de dezembro. Dentro desta categoria, Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), ressaltou a forte contribuição de agentes de seguros, corretoras de títulos e valores mobiliários, e administradoras de cartões de crédito.

Em seguida, o segmento de informação e comunicação registrou um avanço de 1,0%. Este crescimento foi liderado pelo aumento nas receitas de serviços de tecnologia da informação (TI) e de empresas editoras integradas à impressão de livros. A área de TI, em particular, tem sido um dos principais responsáveis pela robustez do setor, representando 44% do crescimento observado nos últimos 12 meses, segundo André Valério, economista sênior do Inter.

O setor de transportes também mostrou variação positiva de 0,4% em janeiro, impulsionado pela atividade de correio, transporte aéreo de passageiros e navegação de cargas. A atividade de correios, especificamente, tem se beneficiado do crescimento do e-commerce e da demanda por entregas rápidas.

Desempenho Anual e Projeções Econômicas

Na comparação com janeiro de 2025, o volume de serviços cresceu 3,3% em janeiro de 2026, marcando o 22º resultado positivo consecutivo. Essa consistência reforça a tendência de recuperação e expansão do setor.

A única atividade que apresentou recuo em janeiro foi serviços prestados às famílias, com queda de 1,2%, pressionada pela menor receita de restaurantes e serviços de buffet. No entanto, economistas como Rodolfo Margato, da XP, preveem uma retomada para este setor nos próximos meses, impulsionada pelo aumento da renda real disponível.

Margato estima que a receita total do setor de serviços crescerá 3,0% em 2026, após uma expansão de 2,9% em 2025. Essa projeção é sustentada por uma inflação corrente mais baixa, aumento da renda e medidas de estímulo que devem aquecer a demanda doméstica.

Fatores que Sustentam o Crescimento e Riscos a Considerar

A expansão da renda real disponível, um mercado de trabalho aquecido e maiores transferências fiscais são apontados como pilares para o crescimento. Além disso, a expansão dos gastos de governos estaduais e o aumento do crédito direcionado a empresas e para trabalhadores do setor privado também devem impulsionar a economia.

Rafael Perez, economista da Suno Research, destaca que a digitalização da economia continua ampliando a demanda por serviços empresariais. O setor de transportes, por sua vez, se beneficia do desempenho do agronegócio e do avanço da renda familiar. Medidas como a isenção do Imposto de Renda também devem favorecer o consumo.

No entanto, alguns riscos ainda pairam no horizonte. Matheus Pizzani, economista do PicPay, alerta para a composição qualitativa dos dados, com retrações em subgrupos como alojamento e alimentação. Ele sugere que o crescimento em janeiro pode ter um fôlego curto, especialmente após o período de sazonalidade positiva.

Apesar das preocupações pontuais, a economia brasileira demonstra resiliência, com o mercado de trabalho atuando como um forte vetor de sustentação. A expectativa é que, após o impulso sazonal, o setor de serviços entre em uma trajetória de estabilidade ou sofra um declínio moderado a partir do segundo trimestre.

A visão geral é de que o setor de serviços continuará sendo um dos principais pilares do crescimento econômico em 2026. Projeções indicam alta de 0,9% do PIB no primeiro trimestre e expansão de 1,8% para o ano, segundo a Suno Research. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, corrobora essa perspectiva, prevendo uma expansão próxima a 2% para o setor ao final do ano.