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Selic a 14,50%: Tesouro IPCA+ a Small Caps, veja onde investir com juros altos e oportunidades em renda variável

Com a Selic em 14,50%, entenda as melhores estratégias de investimento em renda fixa e variável para maximizar seus ganhos

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, marca o início de um ciclo de afrouxamento monetário. Embora os juros ainda permaneçam em dois dígitos, esse cenário de transição abre novas avenidas para investidores buscarem retornos mais atrativos, equilibrando a segurança da renda fixa com o potencial de crescimento da renda variável.

Especialistas apontam que, mesmo com a queda, a taxa Selic continuará elevada por um período considerável, o que exige uma análise cuidadosa das opções disponíveis. O momento é propício para reavaliar a carteira e identificar ativos que possam se beneficiar tanto do cenário de juros altos quanto das oportunidades que surgem em momentos de correção no mercado.

Para auxiliar nessa jornada, reunimos as principais recomendações de especialistas para diferentes classes de ativos, desde títulos públicos e crédito privado até ações e fundos imobiliários, detalhando como navegar neste ambiente de investimentos. As informações foram compiladas com base em análises divulgadas pelo InfoMoney.

Renda Fixa: Tesouro IPCA+ em Destaque e Cautela no Crédito Privado

No universo da renda fixa, o Tesouro Selic continua sendo uma âncora importante para o portfólio, oferecendo liquidez e segurança. No entanto, os títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+, ganham destaque pela sua capacidade de proteger o poder de compra e oferecer juros reais atrativos. Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Investimentos, avalia que as NTN-Bs (Tesouro IPCA+) apresentam um juro real em torno de 7,5% ao ano para vencimentos de 10 anos, configurando uma excelente relação risco-retorno.

Para investidores com diferentes tolerâncias ao risco, João Arthur, diretor de investimentos da Suno Consultoria, sugere ajustar o vencimento dos títulos. Investidores mais conservadores podem optar por prazos mais curtos, próximos ao CDI, enquanto os mais moderados a arrojados podem explorar a parte intermediária ou longa da curva para capturar taxas mais elevadas, desde que suportem a volatilidade.

Já no crédito privado, o cenário pede cautela e seletividade. A alta recente nos spreads, que são o prêmio pago em relação aos títulos públicos, abre uma janela de oportunidade para travar boas taxas em empresas sólidas. Mayara Rodrigues, analista de renda fixa da XP, define a visão da casa como “otimista, mas com cautela”, ressaltando a importância de focar em bons ativos e empresas com fundamentos sólidos. Setores como energia, bancos, saneamento e rodovias são apontados como boas opções por Daniel Palaia, gestor de crédito privado da Asset1.

Renda Variável: Small Caps e Setores Domésticos como Oportunidades

Para quem busca potencial de valorização, o corte da Selic sinaliza um momento oportuno para explorar a renda variável. Luan Aral, analista da Genial Investimentos, alerta que esperar a Selic atingir o piso para comprar ações é um erro, pois deixa dinheiro na mesa. As small caps, empresas de menor capitalização, e companhias ligadas a setores sensíveis aos juros, como varejo e construção civil, despontam como as principais oportunidades de ganho de capital.

Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, explica que, enquanto o fluxo de capital estrangeiro tem priorizado grandes empresas da “cesta Brasil”, as small caps acabam ficando em segundo plano, o que pode representar uma oportunidade de entrada com preços descontados. Para mitigar a volatilidade, Vagner Franceschi, especialista de Investimentos do Sistema Ailos, recomenda a diversificação em gigantes que entregam resultados constantes, como grandes bancos, energia e seguradoras.

A estratégia de diluir a entrada no tempo, por meio de aportes recorrentes, é fundamental para reduzir o risco de comprar no pico e evitar decisões emocionais, segundo Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos. Essa abordagem permite construir posições de forma mais segura e consistente.

Fundos Imobiliários: Fundos de Tijolo Sobem no Radar com Descontos Atrativos

O corte, mesmo que modesto, na Selic tende a impulsionar os fundos imobiliários (FIIs), especialmente os fundos de tijolo, que investem em ativos reais. Larissa Nappo, analista de FIIs do Itaú BBA, destaca o alto desconto em relação ao valor patrimonial, que em alguns casos chega a 30%, como um fator atrativo. Isabella Almeida, gestora de FIIs da Rio Bravo Investimentos, ressalta que, mesmo em momentos de incerteza, surgem boas oportunidades de alocação em fundos com fundamentos sólidos.

Enquanto os fundos de papel indexados ao CDI podem ter o rendimento pressionado no curto prazo, a melhora no risco de crédito é um ponto positivo. Marx Gonçalves, head de fundos listados do research da XP Investimentos, lembra que os FIIs de papel mais expostos ao CDI continuarão apresentando rendimentos atrativos, e os atrelados ao IPCA não devem sofrer impactos diretos significativos.

Marcos Baroni, head de FIIs da Suno Research, aponta que para um avanço mais consistente dos fundos imobiliários, seria necessário que os juros de longo prazo caíssem mais fortemente. Ele estima que, para um crescimento robusto, os juros precisariam fechar o ano entre 12% e 12,5% e caminhar para 10,0% a 10,5% no ano seguinte.

Investimentos Internacionais: Câmbio e Diversificação em Foco

A atratividade dos investimentos internacionais no momento é um tema complexo, influenciado pela força do real. Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, observa que a valorização do real, em parte devido a fatores internacionais, pode diminuir a atratividade de investir no exterior, especialmente se o cenário fiscal doméstico voltar a gerar pressões de desvalorização cambial.

Por outro lado, Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos, enxerga a valorização do real como uma janela de alocação, considerando a força intrínseca da moeda americana no longo prazo e a volatilidade do real como moeda emergente. Ele enfatiza a importância do horizonte de investimento para aplicações internacionais.

Robson Ferreira, especialista em investimentos, complementa que, embora o câmbio seja volátil no curto prazo, a exposição a ativos internacionais e a moeda forte no médio e longo prazos faz sentido como forma de diversificação e proteção patrimonial. Ele sugere os ETFs (Exchange Traded Funds) como uma alternativa acessível e diversificada para acessar diferentes mercados, sendo úteis tanto para iniciantes quanto para investidores experientes.