Selic Alta Dificulta Small Caps, Mas Especialistas Apontam Setores Promissores; Veja Oportunidades
O cenário de juros elevados no Brasil, embora em trajetória de queda desde março, ainda impacta significativamente o desempenho das ações de empresas de menor porte, conhecidas como small caps. Essa conjuntura tem dificultado a recuperação desses ativos e ampliado a diferença de performance em relação ao Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira.
Especialistas divergem sobre o momento ideal para investir em small caps. Enquanto alguns recomendam cautela e observação, outros já enxergam oportunidades pontuais para investidores com maior tolerância ao risco. A volatilidade inerente a essas empresas exige um perfil mais arrojado, capaz de suportar as oscilações do mercado.
A análise do comportamento do Ibovespa contra o Índice de Small Caps da B3 nos últimos 60 meses revela a penalidade sofrida pelas empresas menores em períodos de alta da Selic. Em março de 2021, com a Selic em 2,75% ao ano, o Ibovespa acumulava alta de 62,2%, enquanto o índice de small caps registrava queda de 14,7%. Essa disparidade evidencia a sensibilidade desses ativos às condições macroeconômicas domésticas. Conforme informações divulgadas pelo Broadcast, especialistas divergem se chegou a hora de apostar nesse segmento, visto que a taxa básica de juros entrou em trajetória de queda em março.
Juros Elevados e o Desempenho das Small Caps
Werner Roger, CIO e sócio-fundador da Trígono Capital, aconselha **esperar** o momento certo para investir em small caps, destacando que a taxa de juros é o principal fator que afeta negativamente esse segmento no mercado local. Ele ressalta que o investidor estrangeiro que atua na bolsa não é o mesmo que investe em juros.
Daniel Utsch, gestor da Nero Capital, concorda que ainda não é o momento de uma alocação máxima em small caps, mas sugere que investidores arrojados podem considerar uma **pequena alocação**. Ele lembra que o último pico de otimismo para essas ações ocorreu em meados de 2021, e desde então, elas perderam valor expressivo.
Para Utsch, uma melhora nas mid e small caps depende de um conjunto de fatores, incluindo a queda dos juros, melhora do cenário fiscal e um ambiente eleitoral favorável ao mercado. Ele acredita que uma Selic entre 10% e 12% já poderia trazer certa atratividade a essas ações, sinalizando um ciclo de alta.
Oportunidades em Setores Específicos
Victor Bueno, analista de ações da Nord Investimentos, apesar de concordar que juros altos travam o desempenho das small caps, vê um bom momento para investidores arrojados aumentarem suas posições. Ele alerta para a necessidade de **evitar companhias muito alavancadas** e aquelas que dependem excessivamente de juros baixos, recomendando fugir de empresas cujos resultados são fortemente atrelados a indicadores econômicos.
No setor de **construção civil**, há divergência entre os especialistas. Victor Bueno recomenda focar em construtoras de baixa e alta renda, evitando as de média renda. Por outro lado, Daniel Utsch vê potencial nas construtoras voltadas para a população de média renda, citando empresas como Eztec, Tecnisa, Even e Mitre.
Werner Roger, no entanto, aponta que o ciclo de redução dos juros pode beneficiar construtoras e incorporadoras como Cyrela e Lavvi. Ele também destaca a **Embraer** como uma alternativa de investimento interessante. Para o agronegócio e varejo, Bueno sugere cautela, mas aponta empresas do segmento esportivo, como a Vulcabras, e a Vivara como boas opções.
Cenário Internacional e Renda Fixa
Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, alerta que mesmo o Ibovespa, que é menos sensível ao cenário doméstico e se beneficia do contexto internacional, pode enfrentar uma tendência de baixa no curto prazo devido ao conflito no Oriente Médio. A guerra aumentou a volatilidade nos juros e impulsionou a migração para a renda fixa.
O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo mundial, elevou o preço da commodity acima de US$ 100,00, impactando os mercados globais. Mollo sugere buscar empresas com fundamentos sólidos, como a **Taesa**, e considera o setor de seguros como uma oportunidade caso a guerra se prolongue.