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Selic em Queda: Oportunidades em Fundos Imobiliários (FIIs) com Descontos Ainda Valem a Pena?

Queda da Selic impulsiona FIIs, mas especialistas alertam para cautela e diversificação

O início do ciclo de corte na taxa Selic volta a agitar o mercado financeiro, trazendo consigo expectativas de valorização para os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs). Embora parte desse movimento já tenha sido antecipada pelos investidores, o cenário ainda apresenta oportunidades, especialmente para aqueles que buscam cotas com descontos significativos.

Apesar da recuperação já observada em alguns fundos, o mercado ainda não esgotou seu potencial de alta. A análise de especialistas sugere que a reprecificação dos ativos imobiliários pode continuar, abrindo janelas de investimento interessantes para quem souber aproveitar.

Entretanto, o ritmo dessa valorização e os segmentos que mais se beneficiarão ainda geram debates. Fatores como a volatilidade global e o cenário geopolítico podem influenciar a velocidade da recuperação. Conforme avaliam especialistas, ainda há espaço para ganhos de capital, mas a estratégia ideal envolve diversificação e cautela. As informações são de fontes como Alexandre Despontin, CEO da Mérito Investimentos, e Danny Gampel, head de crédito imobiliário da Cy.Capital.

Descontos em FIIs: Um Refúgio para Investidores?

Alexandre Despontin, CEO da Mérito Investimentos, observa que o processo de reprecificação dos FIIs já se iniciou, principalmente nos fundos de maior liquidez. “Parte desse movimento já foi antecipado, principalmente nos fundos maiores, que começaram a se valorizar ainda no segundo semestre de 2025”, comenta. Contudo, ele ressalta que o mercado ainda não atingiu seu pico. “O IFIX segue negociando com desconto em relação ao valor patrimonial, o que indica espaço adicional para valorização ao longo do ciclo”, explica.

A recuperação, segundo Despontin, tende a ser gradual. Fundos com maior liquidez devem se valorizar primeiro, seguidos por ativos menores e mais específicos. “Esses fundos mais nichados ainda podem apresentar oportunidades relevantes”, acrescenta o executivo, indicando que FIIs menos populares podem ser um bom alvo para investidores.

Onde Estão as Melhores Oportunidades em Fundos Imobiliários?

Danny Gampel, head de crédito imobiliário da Cy.Capital, reforça a ideia de que o mercado ainda não precificou totalmente a queda da Selic. “A gente não sabe quando vai acontecer e até quanto a Selic vai cair. Então ainda tem muita oportunidade de compra de cotas descontadas”, afirma. A incerteza sobre o ritmo e a magnitude dos cortes pode, paradoxalmente, ampliar a janela de oportunidade para investidores.

Gampel também aponta que o cenário geopolítico e a volatilidade global podem tornar a alta das cotas mais lenta. “Talvez essa alta das cotas aconteça de forma mais devagar, mas isso também abre espaço para ganho de capital”, explica. Essa lentidão, ao invés de ser um impedimento, pode ser uma vantagem para quem busca entrar no mercado com preços mais atrativos.

Fundos de Tijolo vs. Fundos de Crédito: Qual o Momento Certo?

No que diz respeito aos segmentos, Despontin acredita que os fundos de tijolo, ligados à economia real, são os que melhor capturarão os benefícios da queda de juros. “Escritórios devem se beneficiar, especialmente com redução de vacância e recomposição de aluguéis”, detalha. A melhora do cenário econômico e a consequente retomada das atividades empresariais tendem a impulsionar a demanda por imóveis comerciais.

Por outro lado, Gampel sugere que, no curto prazo, os fundos de crédito ainda podem apresentar um desempenho interessante. “Se a queda demorar, os fundos de crédito se ajustam mais rápido, porque novas operações já vêm com taxas mais altas”, diz. Fundos atrelados ao CDI continuam atraentes, entregando rendimentos elevados e previsibilidade, especialmente com juros ainda em dois dígitos.

Estratégia de Investimento: Diversificação e Cautela são Chave

Apesar das oportunidades, a recomendação geral dos especialistas é evitar movimentos bruscos na carteira. “A estratégia mais adequada é o balanceamento. Não faz sentido migrar totalmente de papel para tijolo”, aconselha Despontin. A diversificação é vista como fundamental para mitigar riscos e capturar diferentes fontes de retorno no mercado de FIIs.

Gampel reforça a importância de não concentrar os investimentos. “Se o investidor concentrar tudo em um só segmento, pode perder oportunidades. O ideal é não colocar todos os ovos na mesma cesta”, alerta. A estratégia de diversificar entre diferentes tipos de FIIs, como os de tijolo e os de papel, bem como entre diferentes setores, é vista como a mais prudente neste momento de transição da política monetária.