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Setor público registra superávit de R$103,7 bilhões em janeiro, mas déficit das estatais sobe a R$4,9 bi e preocupa contas, aponta Banco Central

Setor público tem superávit primário de R$103,7 bilhões em janeiro, porém déficit das estatais aumenta para R$4,9 bilhões, aponta Banco Central

Setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 103,7 bilhões em janeiro, resultado que mostra equilíbrio nas contas, mas com sinais de alerta no desempenho das empresas estatais.

O número positivo foi acompanhado por um aumento do rombo das estatais, enquanto indicadores de dívida e resultados nominais mostram desafios no curto e médio prazo.

Os dados foram divulgados pelo Banco Central e compilam os resultados da União, estados, municípios e empresas estatais, excluindo o setor financeiro e a Petrobras.

Conforme informação divulgada pelo Banco Central.

Detalhes do resultado consolidado

O superávit primário do setor público em janeiro ficou em R$ 103,7 bilhões, ligeiramente abaixo do superávit de R$ 104,1 bilhões registrado no mesmo mês em 2025.

O saldo positivo refletiu os superávits de R$ 87,3 bilhões do governo federal e de R$ 21,3 bilhões dos estados e municípios, e o déficit de R$ 4,9 bilhões das empresas estatais.

O déficit de R$ 4,9 bilhões das estatais é quase tão grande quanto o saldo negativo acumulado no ano passado inteiro, que foi de R$ 5,1 bilhões.

Em relação às estatais, o levantamento não leva em conta grandes empresas federais como Petrobras e Eletrobras, por terem saído do indicador em 2009, por terem regras que se assemelham a empresas privadas de capital aberto.

O argumento do governo tem sido de que o déficit demonstrado pelo BC reflete um programa de investimentos mais acelerado nas empresas e o pagamento de dividendos.

Desempenho das estatais e indicadores alternativos

Embora o BC inclua um conjunto específico de estatais, o Ministério da Gestão e Inovação dos Serviços Públicos, o MGI, utiliza outro critério que considera lucros de bancos públicos e da Petrobras.

Segundo o boletim das estatais do MGI, foi registrado um lucro líquido de R$ 136,3 bilhões em 2025, com alta de 22,5% sobre igual período de 2024, e a Petrobras representa quase 70% deste montante sozinha.

Essas diferenças de método explicam, em parte, a distância entre o déficit apontado pelo BC e os lucros reportados em outros levantamentos.

Dívida, saldo nominal e acumulados em 12 meses

Em doze meses, o setor público consolidado acumulou déficit primário de R$ 55,4 bilhões, o que representa 0,43% do PIB.

Ao se considerar o critério nominal, que inclui despesas com juros, houve superávit de R$ 40,1 bilhões em janeiro, enquanto no acumulado de doze meses houve déficit nominal de R$1.086,2 bilhões, equivalente a 8,05% do PIB.

O Banco Central informou também que a dívida bruta do Brasil em janeiro somou R$ 10,1 trilhões, o que equivale a 78,7% do PIB, sem variação no mês.

Já a dívida líquida, que desconsidera os ativos do governo, desceu para 65% do PIB em janeiro, chegando a R$ 8,3 trilhões, uma redução de 0,3 ponto percentual em comparação com o mês anterior.

O que esses números significam para as contas públicas

O superávit primário de janeiro dá folga nas contas no curto prazo, porém o aumento do déficit das estatais e o elevado déficit nominal em 12 meses mostram que pressões fiscais persistem.

Investimentos maiores das estatais e pagamento de dividendos podem explicar parte do quadro, segundo o governo, mas a manutenção da dívida bruta em patamares elevados, 78,7% do PIB, reforça a necessidade de acompanhamento próximo por investidores e formuladores de política econômica.

Em resumo, o setor público mostra sinais mistos, com superávit no mês, déficit acumulado em 12 meses e custos com dívida que ainda pesam sobre a saúde fiscal do país.