Encore Asset aposta em “terceira onda” de investimento estrangeiro na Bolsa brasileira com Smart Fit, Nubank e Localiza como destaques
O cenário de investimentos no Brasil pode estar prestes a receber um novo impulso. A Encore Asset Management, através de seu sócio-fundador e analista João Luiz Braga, prevê uma “terceira onda” de investimento estrangeiro no país, impulsionada por fatores globais e pela atratividade de ativos brasileiros específicos.
Braga desmistifica a ideia de que a eleição presidencial em outubro é o único fator determinante para o desempenho da Bolsa brasileira, nem que o fluxo de capital estrangeiro já atingiu seu pico. Ele utiliza a analogia de uma piscina olímpica e uma banheira para ilustrar como o Brasil, mesmo sendo um mercado menor, pode absorver capital estrangeiro com grande impacto.
Segundo o especialista, o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA adiciona volatilidade ao mercado americano, levando investidores a buscarem alternativas. A Encore Asset identifica em empresas como Smart Fit, Nubank e Localiza um potencial de crescimento e descorrelação com outros mercados emergentes, o que as torna apostas estratégicas para essa nova fase de fluxo de capital. Conforme informação divulgada pela Encore Asset, Braga narra um aumento no interesse de investidores estrangeiros, com reuniões frequentes desde outubro do ano passado, que esfriaram momentaneamente com a guerra entre EUA e Irã, mas retomaram nas últimas semanas.
A “terceira onda” de investimentos estrangeiros e a busca por descorrelação
A tese da Encore Asset se baseia em três ondas de investimento estrangeiro. A primeira, em 2025, foi aproveitada por fundos que já conheciam o Brasil e buscaram oportunidades em meio a um cenário de dólar alto e juros elevados. A segunda onda, em janeiro, foi marcada por um fluxo massivo, com estrangeiros investindo via Ibovespa, sem uma análise aprofundada.
A “terceira onda”, ainda em formação, é esperada para ser mais duradoura e influente. Ela atrairá investidores mais criteriosos, que buscam **descorrelação de ativos**. Em um cenário global onde mercados emergentes como Coreia do Sul e Taiwan estão “contaminados” pela inteligência artificial, o Brasil se destaca por sua “velha economia”, focada em agronegócio e mineração, oferecendo diversificação valiosa.
O conceito de “dólar smile”, onde o dólar se fortalece tanto em cenários de economia americana muito forte quanto muito fraca, é crucial. O ponto ideal para emergentes é o meio termo. A guerra no Oriente Médio aumentou o receio de recessão nos EUA, tornando o fim do conflito um potencial gatilho para a entrada de fluxo estrangeiro no Brasil. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no dia 5 é aguardada com atenção, pois o fim de um ciclo de alta de juros no Brasil é visto como positivo por investidores estrangeiros.
Oportunidades em ações domésticas com descontos históricos
João Luiz Braga destaca que o mercado brasileiro apresenta um **”maior desconto que eu já vi na minha vida”**, com o Ibovespa e o índice de Small Caps (SMLL) negociando a múltiplos de lucro projetado para 12 meses em torno de 8,5 vezes. Ele considera que o SMLL estar mais barato que o Ibovespa “não faz o menor sentido”, dado que o Ibovespa inclui empresas cíclicas e bancões, que tradicionalmente negociam a múltiplos mais baixos.
A Encore Asset foca em empresas domésticas, e não em commodities como a Vale, para geração de ganhos. A maior posição da gestora atualmente é a **Smart Fit (SMFT3)**. A tese se baseia na percepção de que o mercado interpretou erroneamente o impacto do TotalPass, que, na visão de Braga, amplia a rede da empresa sem custo de capital e está reduzindo o desconto de preço em relação ao balcão. O principal risco identificado é a concorrência, mas a ação negocia a nove vezes lucro e nove vezes geração de caixa, com crescimento projetado de 30%.
Nubank e Localiza: teses baseadas em erros de leitura do mercado
A segunda maior posição da Encore é o **Nubank (ROXO34)**. A tese se apoia na ideia de que o mercado tem uma leitura equivocada sobre o banco digital. Enquanto ações de software impulsionadas pela IA ganharam destaque, Braga argumenta que a criação de um banco como o Nubank é complexa e não replicável facilmente. Ele projeta um crescimento de 50% no lucro do segundo trimestre, com a ação negociando a 11 vezes lucro, destacando o banco como “brilhante” e com “pessoas brilhantes”.
A terceira posição relevante é a **Localiza (RENT3)**, com uma tese centrada em sua estrutura de custos. Braga a descreve não apenas como uma locadora de carros, mas como a forma mais barata de possuir um carro. Com um custo de propriedade inferior a outros modelos, a Localiza tem o poder de definir preços no mercado. Apesar de poder “matar a concorrência”, a empresa opera com um spread positivo, mantendo competidores vivos com retorno marginal próximo de zero. A companhia reportou um Retorno Sobre o Capital Investido (ROIC) ajustado de 14,6% em 2025, com um spread de 4,7 pontos percentuais sobre o custo da dívida após impostos.

