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STF autoriza PF a monitorar localização de celular de Jaques Wagner em investigação sobre Banco Master

STF autoriza monitoramento de celular de Jaques Wagner em investigação sobre Banco Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a monitorar a localização aproximada dos celulares do senador Jaques Wagner (PT-BA) e de outros investigados. A medida, que terá validade de dez dias, faz parte do inquérito que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa ligadas ao antigo Banco Master.

A decisão, assinada em 17 de junho e com sigilo retirado nesta quinta-feira, permite o acesso a registros de antenas de telefonia (ERBs), histórico de chamadas e outros metadados. O objetivo é reconstruir deslocamentos e identificar contatos entre os investigados, mas **não autoriza o acesso ao conteúdo de conversas ou mensagens**.

Conforme informação divulgada, Mendonça acolheu parcialmente um pedido da PF na chamada Operação Compliance Zero. O monitoramento em tempo real foi liberado para seis investigados, incluindo Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, considerado um dos principais operadores ligados ao Banco Master. A PF suspeita que Jaques Wagner tenha recebido vantagens indevidas de gestores do banco, direta ou indiretamente, por meio de familiares e empresas ligadas a ele.

Detalhes da autorização e negativas parciais

O ministro negou o mesmo pedido de monitoramento para outros quatro alvos. A justificativa foi que, neste momento, esses investigados não possuem protagonismo suficiente para justificar uma restrição mais intensa ao sigilo de dados. Mendonça explicou que os dados de localização são cruciais para **reconstruir deslocamentos, confirmar encontros e identificar vínculos comunicacionais**.

O acesso aos registros de ERB e chamadas telefônicas poderá auxiliar em futuras diligências, como apreensão de celulares, preservação de provas digitais e localização de documentos importantes. A medida também visa confirmar ou afastar hipóteses investigativas sobre pessoas cuja participação ainda não esteja totalmente esclarecida.

Risco de vazamento e uso de linguagem cifrada motivam decisão

André Mendonça destacou que a PF apresentou indícios de que os investigados utilizariam chamadas de voz, encontros presenciais e mensagens temporárias para **dificultar a produção de provas documentais**. O uso de linguagem cifrada em parte das conversas e o risco concreto de vazamento das diligências foram fatores determinantes para a necessidade do monitoramento em tempo real da localização dos aparelhos.

Um fato que reforçou a preocupação com vazamentos foi a solicitação de audiência no gabinete do ministro por um dos investigados, no mesmo dia em que os pedidos da PF chegaram ao STF. Mendonça considerou que essa coincidência acentuou os riscos de divulgação indevida da operação.

Monitoramento focado em metadados, sem interceptação

O ministro ressaltou que a autorização **não representa um juízo de culpa** nem permite a interceptação telefônica. A decisão se limita ao acesso a metadados, como registros de chamadas, identificação dos aparelhos, histórico de conexões e localização aproximada dos terminais pelas estações rádio-base. O conteúdo das comunicações permanece protegido.

A investigação da PF aponta suspeitas relacionadas à aquisição de um apartamento em Salvador, repasses financeiros para empresa ligada à família do senador e suposta atuação parlamentar em temas de interesse do Banco Master. Entre os assuntos citados estão mudanças no crédito consignado, discussões sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e iniciativas para a aquisição do banco pelo BRB. Jaques Wagner nega todas as irregularidades.

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