No Brasil, a indústria de ETFs entrou em um superciclo em 2024 e cresceu com força até 2026, mudando a dinâmica de produtos e de distribuição no mercado de fundos.
O avanço se reflete tanto no patrimônio, que saiu de R$ 50 bilhões para quase R$ 130 bilhões, como na oferta, com cerca de um terço dos fundos lançados em 2025 e 2026.
Os motivos combinam custos, benefícios tributários, liquidez e o interesse por alocação simples e escalável, tema abordado por gestores da XP Asset no Outliers InfoMoney, conforme informação divulgada pelo Outliers InfoMoney.
A aceleração, números e origem do movimento
Segundo o gestor Danilo Gabriel, da XP Asset, “No fim de 2024 a gente tinha aproximadamente R$ 50 bilhões sob gestão na indústria, e esse número era mais ou menos o mesmo em 2022 e 2023”.
O salto ocorreu em 2024 e 2025, quando a indústria quase dobrou em torno de R$ 90 bilhões, e, em junho e julho de 2026, alcançou a casa de quase R$ 130 bilhões, conforme relato dos gestores.
O crescimento não é só patrimonial, ele vem acompanhado pela expansão da oferta, hoje em cerca de 210 fundos, e por marcos simbólicos, como a primeira vez em que os ETFs de renda fixa superaram os de renda variável em patrimônio sob gestão.
Por que os ETFs de renda fixa decolaram
Mais de R$ 27 bilhões entraram em ETFs de renda fixa apenas neste ano, o que representa mais de 80% do fluxo total para a classe, segundo a XP Asset.
O sucesso agrega fatores de escala do mercado de origem, benefícios tributários e operacionais, e o ambiente de juros elevados, que favoreceu produtos atrelados a CDI e taxas reais.
Entre as vantagens, estão isenção de IOF na subscrição, alíquota fixa de 15% de imposto de renda em muitos casos, ausência de come-cotas, e liquidez D0/D1, recursos que tornam um ETF rendendo 100% do CDI competitivo frente a fundos de crédito com rendimento maior, na visão da XP Asset.
Liquidez e custos, por que olhar além do volume na tela
A liquidez dos ETFs deve ser analisada pela liquidez dos ativos subjacentes, e não apenas pelo volume negociado no pregão, explicam os gestores.
Os ETFs de renda fixa da XP Asset operam em modelo in-kind, com entrada e saída via os próprios títulos, o que ajuda a manter o preço do ETF alinhado ao valor patrimonial graças à ação de arbitradores.
As taxas também ajudam na narrativa de crescimento, com lançamentos cobrando 0,15% ao ano em índices prefixados, 0,30% em small caps, e até taxa zero no ETF de Ibovespa até determinado limite de patrimônio, bem abaixo da média da indústria.
Impacto na gestão ativa e no modelo fee-based
Os ETFs ampliam a competição por custos e resultado, e podem acelerar um processo de seleção natural na gestão ativa, sobretudo para produtos com custos altos, baixa liquidez e retorno mediano.
Para Danilo Gabriel, “A beleza do ETF é a simplicidade”, e a existência de uma grade ampla e barata de ETFs facilita a adoção do modelo fee-based, em que o cliente paga uma taxa fixa por consultoria.
Na prática, ETFs baratos, líquidos e escaláveis tornam viável cobrar taxas de consultoria baixas, e tendem a promover uma limpeza no mercado de fundos, forçando ajustes em gestores que não entregam valor.
O avanço dos ETFs no Brasil segue apenas no começo, e a combinação de custos mais baixos, vantagens tributárias e maior oferta pode redefinir alocações de longo prazo, tanto para investidores quanto para plataformas e gestores.

