Tarcísio publicou vídeo com imagem antiga de usuária de drogas para criticar vandalismo no ato do PT na Avenida Paulista, trecho foi removido após decisão do TSE
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, compartilhou nas redes sociais um vídeo em que critica a manifestação do PT na Avenida Paulista, e, por volta dos 30 segundos, aparece a imagem de uma mulher aparentando usar uma suposta substância ilícita.
O ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocorreu no domingo, e cenas de depredação a estações do Metrô marcaram a manifestação na Linha 2-Verde, segundo registro da Companhia do Metrô de São Paulo.
Segundo apuração, o trecho com a imagem antiga de usuária de drogas já circulava nas redes pelo menos desde sábado, e o caso foi checado por agências e levado ao TSE, conforme informação divulgada pelo Metrópoles e checada pela agência Aos Fatos.
O vídeo, a origem da imagem e a circulação nas redes
No vídeo publicado por Tarcísio, ele critica os atos de vandalismo no metrô, e afirma, textual e publicamente, “O vandalismo nunca é ferramenta, é armadilha. Patrimônio destruído não prova convicção, é prova de falta de civilidade. E a gente pode esperar deles algum meia-culpa? Claro que não. Imagina que eles nunca fizeram meia-culpa com relação à corrupção que grassou nos governos PT”.
A agência de checagem Aos Fatos constatou que a gravação com a imagem já circulava pelo menos desde sábado, portanto, antes da manifestação na Avenida Paulista. Perfis no X de outros países publicaram o mesmo vídeo, o que indica circulação prévia do material utilizado por aliados da campanha do governador.
Decisão do TSE e alterações no material publicado
Na noite da segunda-feira, o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou que a campanha do candidato Flávio Bolsonaro apagasse um conteúdo que usava a imagem da jovem. O ministro ressaltou que “O processo eleitoral, a liberdade de expressão e a crítica política são protegidas, mas não afastam a possibilidade de intervenção pontual diante de conteúdo que, em análise preliminar, apresente fatos sabidamente inverídicos ou manipulação relevante de contexto”.
A decisão do TSE citou diretamente a peça associada à campanha de Flávio Bolsonaro, sem mencionar explicitamente o vídeo do governador Tarcísio. Mesmo assim, a equipe do governador editou o material original e publicou uma nova versão no Instagram por volta das 21h, sem o trecho em que aparece a suposta usuária de drogas, enquanto a versão antiga seguia no ar em outras redes.
Reações, processos e investigação sobre danos
A Coligação Brasil Pronto Pra Mais, formada por PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e REDE, apresentou representação no Tribunal Superior Eleitoral contra Flávio Bolsonaro e aliados, alegando propaganda eleitoral irregular, difamação e disseminação de desinformação de segunda geração por meio de vídeos manipulados, incluindo o uso da imagem antiga de usuária de drogas.
O Metrô de São Paulo registrou boletim de ocorrência sobre os atos na Linha 2-Verde e informou que vai disponibilizar imagens de monitoramento para ajudar a Polícia Civil a identificar os responsáveis. A Secretaria de Segurança Pública confirmou os registros de danos e pichações, e afirmou que “a dispersão ocorreu sem nenhuma ocorrência grave”.
O que permanece sob apuração
Autoridades seguirão analisando imagens de câmeras do Metrô e do sistema de monitoramento da região para identificar quem praticou os atos de depredação, e o TSE permanece avaliando representações por suposta divulgação de conteúdo manipulado no período eleitoral.
Procurada sobre a publicação original, a Secretaria da Comunicação do governo de São Paulo não enviou resposta imediata, e o espaço para manifestação segue aberto, conforme apuração do Metrópoles.

