Aguarde, Carregando

Tarifa dos EUA: Setores Brasileiros Reagem com Perda de Competitividade e Pedem Diálogo para Evitar Prejuízos Econômicos

Setores Brasileiros em Alerta: Tarifa dos EUA Ameaça Competitividade e Empregos

A manutenção da tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras pelos Estados Unidos gerou forte reação de diversos setores produtivos do Brasil. Sem conseguir execeções à medida, entidades representativas de segmentos como calçados, vestuário, máquinas, etanol e parte da indústria de base florestal alertam para uma drástica perda de competitividade.

As preocupações vão além da simples taxação, abrangendo a possibilidade de redução significativa nas exportações, o que pode comprometer investimentos já realizados e colocar em risco milhares de empregos. Diante deste cenário, a defesa por uma solução negociada entre os dois países se intensifica.

A decisão americana, que entra em vigor para alguns setores a partir de 22 de setembro, já demonstra os primeiros sinais de impacto. Conforme informações divulgadas pelas próprias associações setoriais, a insegurança no comércio internacional aumenta, afetando a previsibilidade e a capacidade das empresas brasileiras de competir no mercado americano. O diálogo e a busca por acordos bilaterais são vistos como caminhos essenciais para mitigar os efeitos negativos.

Vestuário e Calçados: Prejuízos Estimados e Apelo por Equilíbrio Comercial

O setor de vestuário e calçados, que também ficou fora da lista de exceções, deve sentir o impacto da nova tarifa. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) destacou em comunicado que medidas dessa natureza aumentam a insegurança e reduzem a competitividade das empresas, com reflexos diretos em investimentos, produção e emprego.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) projeta uma queda de aproximadamente 7,1% nas exportações para os EUA até o final do ano. Segundo Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, a tarifa adicional torna inviável muitas operações que estavam em processo de retomada, penalizando não apenas exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os países.

Máquinas e Equipamentos: Principal Destino em Risco e Impacto nas Cadeias Produtivas

A Abimaq, que representa os fabricantes de máquinas e equipamentos, manifestou profunda preocupação com a nova taxação. Os Estados Unidos representam o principal destino das exportações do setor, que somaram impressionantes US$ 3,2 bilhões no ano passado. A entidade alerta que a elevação das tarifas tende a aumentar custos, reduzir competitividade e comprometer investimentos.

A Abimaq ressalta que os efeitos dessa medida ultrapassam a relação comercial bilateral, afetando a eficiência das cadeias produtivas instaladas em ambos os países. A falta de exceções para este setor vital para a indústria brasileira é vista como um retrocesso nas relações comerciais.

Indústria Florestal e Etanol: Preocupações Pontuais e Defesa de Políticas Conformes

Na indústria de árvores cultivadas, a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) celebrou a manutenção de alguns produtos importantes na lista de exceções, como a celulose de fibra curta e longa. Contudo, a entidade expressou preocupação com a incidência da tarifa sobre produtos como celulose solúvel, papéis, painéis de madeira, MDF, MDP e pisos laminados, que são competitivos e integrados às cadeias industriais dos dois países.

A Ibá informou que as exportações brasileiras do setor para os EUA já apresentavam queda, com recuos significativos em papel (-48,5%), painéis de madeira (-50,3%), madeira serrada (-36,6%) e madeira compensada (-25,3%) no primeiro semestre de 2025. A entidade defende o diálogo para preservar a previsibilidade comercial.

O setor sucroenergético, representado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), também criticou a decisão. A Unica lamentou a imposição de tarifas adicionais sobre o etanol brasileiro, argumentando que a política brasileira para o biocombustível está em conformidade com as regras da OMC. A entidade contesta a justificativa americana, atribuindo a redução das exportações dos EUA para o Brasil à expansão da produção nacional e ao RenovaBio, política que assegura tratamento não discriminatório a produtores nacionais e estrangeiros.

Rolar para cima