A Suprema Corte dos Estados Unidos anulou as chamadas tarifas “recíprocas” aplicadas em 2025, mas, em seguida, a Casa Branca anunciou uma nova medida geral.
A partir das 2h01 de terça-feira, a nova tarifa global de 15% passa a valer para diversos países, inclusive o Brasil, e pode permanecer por até 150 dias, salvo decisão do Congresso.
O cenário brasileiro fica misto, porque algumas taxas por segurança nacional continuam ativas, enquanto a sobretaxa ampla mudou de formato, conforme informação divulgada pelo g1.
O que mudou com a decisão da Suprema Corte
A Corte decidiu que o presidente não podia usar uma lei de emergência para impor tarifas amplas sobre praticamente todos os países, o que levou à anulação da tarifa geral de 10% que vigorava desde abril de 2025 e das sobretaxas adicionais aplicadas a alguns bens.
Logo depois, o governo americano anunciou inicialmente uma tarifa global de 10%, que foi elevada para 15% dentro do limite permitido pela legislação comercial de 1974, e o Brasil foi incluído nesse novo arranjo.
Como a nova tarifa de 15% funciona para o Brasil
Na prática, a tarifa global de 15% funciona como um adicional sobre a alíquota normal de cada produto, ou seja, soma-se 15% à tarifa já existente para o item, salvo exceções previstas.
Algumas cobranças por motivos de segurança nacional continuam valendo, e, hoje, a situação para o Brasil é: aço ativa 50%, alumínio ativo 50%, peças de cobre ativas 50%, madeira ativa 10%, e para os demais produtos, uma nova tarifa adicional de 15%.
Ainda não está claro se a nova taxa será aplicada sobre certas tarifas específicas, como as que incidem sobre aço e alumínio, pois em 2025 houve casos de exclusões ou soma dependendo das negociações com parceiros, como ocorreu com a União Europeia e o Japão.
Impacto econômico, estatísticas e opiniões
Segundo levantamento da Global Trade Alert, “a queda estimada para o Brasil é de 13,6 pontos percentuais na tarifa média”, considerando o pico das medidas de 2025 e o novo arranjo com a tarifa global de 15%.
Para especialistas, a decisão é, em linhas gerais, positiva, mas com ressalvas. “A decisão é marginalmente positiva para Brasil”, pontua Leonardo Costa, economista do ASA.
Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, alerta, “No curto prazo, a decisão é líquida positiva para o Brasil via canal financeiro (câmbio e bolsa). Mas há riscos em nossas relações com a China, e aqui reside o risco estratégico para o Brasil”.
O que esperar a seguir
No curto prazo, a mudança tende a reduzir a carga média sobre exportações brasileiras em relação ao pico de 2025, mas mantém um grau de incerteza elevado no comércio internacional.
Além do prazo de até 150 dias, o governo americano já indicou que pode usar outros instrumentos legais para criar novas tarifas, o que significa que exportadores e autoridades brasileiras precisarão monitorar negociações e possíveis exceções.
Em resumo, a tarifa global de 15% altera o quadro tarifário, reduz parte do impacto máximo observado em 2025, mas impõe nova sobrecarga temporária sobre muitos produtos, exigindo atenção das cadeias produtivas e das autoridades comerciais brasileiras.