Mercados Internacionais em Abril: Navegando Tensão Geopolítica com Estratégia e Atenção aos Detalhes
O cenário global em abril permanece sob a sombra de tensões geopolíticas, impactando diretamente os mercados financeiros. A guerra entre Estados Unidos e Irã, por exemplo, gerou volatilidade, com o S&P 500 registrando uma queda de 5,0% em março. No Brasil, o BDRX seguiu a tendência, recuando 3,7%.
Apesar das incertezas, como a disparada do petróleo e as negociações de paz, analistas de mercado enxergam oportunidades. A forte queda, muitas vezes exagerada em momentos de crise, pode ser uma porta de entrada para ativos com potencial de recuperação e crescimento a longo prazo.
Corretoras como XP Investimentos, Empiricus e Genial Investimentos analisam o cenário e oferecem visões distintas, mas com um ponto em comum: a busca por valor em meio à turbulência. Conforme informações divulgadas por essas instituições, investidores atentos podem encontrar caminhos promissores para seus portfólios neste mês.
Big Techs em Foco: Valuation Atrativo em Meio à Correção
A XP Investimentos, por exemplo, sugere aumentar a posição em Big Techs. A corretora aponta que, após um período de correção, os valuations dessas empresas voltaram a patamares atrativos. A Nvidia, segundo a XP, negocia com múltiplos próximos aos do S&P 500, mesmo com uma forte perspectiva de crescimento.
A Empiricus complementa, destacando que a desvalorização do S&P 500 ocorreu em um momento de revisão para cima nas projeções de lucros. O índice, que negociava acima de 20 vezes seus lucros projetados, caiu para cerca de 18 vezes, tornando-se mais interessante para investidores.
A corretora ressalta que, mesmo com a possibilidade de revisões futuras para baixo nos lucros corporativos, caso os preços das commodities afetem o consumo global, as Magnificent 7 (grupo de grandes empresas de tecnologia) negociam perto de mínimas dos últimos cinco anos em termos de múltiplos Preço/Lucro projetados.
Ouro e Commodities: O Porto Seguro em Tempos de Incerteza
Diante do cenário de incertezas e da alta do petróleo, a Genial Investimentos adota uma postura mais conservadora em ações americanas, focando em empresas geradoras de caixa. Contudo, a corretora ampliou sua exposição a mineradoras de ouro e prata como posição de proteção e diversificação.
A alta do petróleo, impulsionada pela guerra no Irã, levou diversas corretoras a incluírem a ExxonMobil em suas carteiras. A XP Investimentos destaca que as ações da empresa fecharam o primeiro trimestre com alta de 41%, apresentando a melhor performance trimestral do papel.
A ExxonMobil, uma das maiores empresas de petróleo e gás natural do mundo, opera em todas as fases da cadeia de valor de energia, o que a torna uma escolha estratégica em um ambiente de preços de commodities em alta.
Tecnologia e Inovação: O Futuro Continua em Alta
A Apple, com quatro indicações, mantém sua força. O Santander Brasil destaca os bons números do quarto trimestre, com ênfase nas vendas do iPhone e receitas de serviços. A empresa espera crescimento acima do consenso para o primeiro trimestre, apesar de possível pressão nas margens.
A Amazon, também com quatro indicações, é citada pelo BTG Pactual pelo potencial de crescimento em serviços de nuvem (AWS), expansão em inteligência artificial e avanço do streaming via Prime.
A Microsoft, com quatro indicações, é recomendada pelo Santander Brasil por seu amplo portfólio, fidelização de clientes e crescimento em serviços de nuvem e inteligência artificial.
A Nvidia, fabricante de chips para IA, mantém-se entre as mais indicadas. A Empiricus a incluiu em sua carteira após o anúncio de expectativa de receita superior a US$ 1 trilhão entre 2025 e 2027, sinalizando vendas em torno de US$ 500 bilhões apenas em 2026.
A TSMC, fabricante de circuitos integrados, é vista pelo BTG Pactual como beneficiária do tema de inteligência artificial, sustentada por resultados positivos e avanços tecnológicos.
Cautela e Resiliência: Coca-Cola e Micron em Destaque
A Coca-Cola surge como novidade entre as mais indicadas, refletindo maior cautela. O BTG Pactual a vê como uma tese de resiliência, beneficiada pela busca por defensividade em um ambiente de incerteza macroeconômica, com demanda robusta e forte presença global de suas marcas.
A Micron, segundo o Santander Brasil, beneficia-se da forte demanda por memória impulsionada pela inteligência artificial. A empresa já teria vendido toda a sua capacidade de produção de memória de alta largura de banda (HBM) deste ano, com novas demandas por chips HBM4.
Apesar do ruído geopolítico, o crescimento de lucros corporativos nos EUA segue acima da tendência de dez anos, segundo a Genial Investimentos. A compressão de múltiplos já é consistente com cenários de desaceleração moderada, favorecendo posições construtivas caso o conflito encontre resolução diplomática.