Brasil pode se tornar líder global em Terras Raras, minerais cruciais para o futuro tecnológico e energético do planeta.
As terras raras, um grupo de 17 elementos químicos, são a base de tecnologias que moldam o nosso futuro. De carros elétricos a turbinas eólicas e smartphones, esses minerais são indispensáveis para a transição energética e o avanço tecnológico global. A demanda por esses componentes estratégicos está em ascensão.
A China detém o controle significativo da cadeia produtiva, desde a extração até o refino e a fabricação de ímãs permanentes. Essa concentração representa um risco geopolítico e econômico, levando países ao redor do mundo a buscar alternativas e diversificar o fornecimento.
Neste cenário de reorganização global, o Brasil surge como um player de extrema importância. Com a segunda maior reserva mundial de terras raras, o país tem a oportunidade única de capitalizar sobre essa demanda crescente. Conforme informações divulgadas pela XP, o Brasil detém cerca de 20% das reservas globais, atrás apenas da China.
O que são Terras Raras e por que elas são tão importantes?
Contrariando o nome, terras raras não são necessariamente escassas, mas sim um conjunto de 17 elementos com propriedades únicas e essenciais para a tecnologia moderna. Eles são fundamentais para a fabricação de ímãs de alta performance, utilizados em motores de carros elétricos, geradores de turbinas eólicas, componentes de smartphones, chips de computador e até em equipamentos militares.
Clara Sodré, analista de fundos da XP, destaca no podcast Espresso Outliers que “terras raras são a base de tudo que representa o futuro”. Sem elas, a transição para veículos elétricos, o desenvolvimento de energias renováveis e os avanços tecnológicos seriam inviabilizados.
A dependência global e a estratégia da China
A força do tema das terras raras em debates globais, especialmente em 2026, reside na dependência mundial de um único fornecedor: a China. O país asiático não só domina cerca de 70% da produção global, mas também controla mais de 90% da capacidade de refino e praticamente toda a produção de ímãs permanentes. Essa concentração de poder na cadeia de suprimentos é vista como um ponto estratégico em discussões geopolíticas.
“Quem tem o recurso nem sempre tem a capacidade de processar, e quem domina o processamento controla de fato a cadeia”, explica Clara Sodré. Essa assimetria de poder é o que torna as terras raras um tema tão relevante no cenário internacional.
Brasil: Um gigante adormecido em Terras Raras
O Brasil possui um potencial imenso, ocupando a segunda posição mundial em reservas de terras raras, com aproximadamente 20% do total global. No entanto, a produção brasileira ainda é limitada, evidenciando um hiato entre o potencial geológico e a capacidade de exploração econômica.
A analista da XP ressalta a importância da execução para transformar reservas em protagonismo econômico. “Países como o Brasil podem ganhar relevância, mas execução sempre vai ser um diferencial”, afirma. A capacidade de desenvolver e operar a cadeia produtiva de forma eficiente será crucial.
O mundo busca alternativas e novas oportunidades de investimento
A dependência da China não é uma novidade. Em 2010, um conflito entre China e Japão causou a interrupção das exportações de terras raras, elevando os preços e expondo a fragilidade da cadeia produtiva concentrada. Desde então, a China tem utilizado seu domínio como ferramenta geopolítica, restringindo exportações.
Em resposta, o mundo tem buscado alternativas. A Europa planeja reduzir sua dependência até 2030, os Estados Unidos criaram estoques estratégicos e financiam projetos no setor, e diversos países incentivam a mineração local e a reciclagem. “Estamos vendo a reorganização global da cadeia produtiva, abrindo oportunidades de investimento”, pontua Clara Sodré.
Para investidores, as terras raras representam três tendências principais: o redesenho de cadeias estratégicas, a interseção entre tecnologia, energia e política, e o potencial de países como o Brasil ganharem relevância com a execução correta. “O investidor com olhar global consegue capturar grandes tendências, mesmo quando a oportunidade está aqui no Brasil”, conclui. O cenário atual favorece a descentralização das cadeias produtivas e a entrada de novos players, criando um ambiente promissor para investimentos com impacto global e local.