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Tesouro Direto: taxas pré disparam após IPCA-15 de 0,84% em fevereiro, juro real cede com Treasuries e mercado reajusta expectativa para Selic

As taxas do Tesouro Direto operaram mistas nesta sexta-feira, com choque entre alta local da inflação e alívio trazido pelo mercado externo, em especial pelos Treasuries.

O IPCA-15 de fevereiro surpreendeu com alta de 0,84% no mês, mesmo com desaceleração no acumulado em 12 meses para 4,10%, pressionando papéis prefixados e ajustando expectativas.

Ao mesmo tempo, a queda nas taxas do Tesouro americano ajudou a comprimir o juro real longo no Brasil, mudando o balanço de risco dos investidores, conforme informação divulgada pelo mercado financeiro nesta sexta-feira (27).

Reação dos prefixados e leituras sobre inflação

Os títulos prefixados responderam rápido à surpresa do IPCA-15, com a taxa do Prefixado 2029 subindo para 12,70%, ante 12,59% na véspera, e a do 2032 avançando para 13,30%.

O juro do papel com juros semestrais 2037 foi a 13,53%, refletindo ajuste na parte nominal da curva diante de uma leitura de inflação mais pressionada.

Na avaliação de especialistas, “A leitura qualitativa de fevereiro foi mais pressionada do que o antecipado, com aceleração relevante dos núcleos e surpresa altista também em bens industriais”, observa Marianna Costa, economista da Mirae Asset, que destaca a aceleração disseminada da inflação de serviços.

Compressão no juro real e fechamento da curva IPCA+

Apesar da alta nos prefixados, o destaque foi o fechamento do trecho real longo, com o juro real do Tesouro IPCA+ 2050 caindo de 6,80% na quinta para 6,77% hoje, renovando a mínima do ano.

Outros vértices também recuaram, o IPCA+ 2040 foi a 6,98%, o IPCA+ 2045 recuou para 6,98%, o IPCA+ 2060 foi a 6,94%, e o IPCA+ 2032 caiu para 7,39%.

Influência dos Treasuries e cenário externo

O movimento de queda dos Treasuries foi determinante para aliviar parte da curva doméstica, com a T-note de 10 anos caminhando para fechar fevereiro com queda acumulada de 26 pontos-base, a 3,98%.

Esse comportamento reflete demanda por ativos considerados mais seguros diante de incertezas na política econômica americana, e a expectativa por cortes de juros, com operadores voltando a precificar redução já em julho.

Visão dos bancos e desfecho para a política monetária

Na leitura de grandes instituições, “Um cenário de dinâmica inflacionária ainda desafiadora, expectativas de inflação de curto e médio prazo sem ancoragem, hiato do produto positivo, mercado de trabalho restrito e medidas contínuas de estímulo fiscal e de crédito exigem uma calibragem conservadora da política monetária”, observa o Goldman Sachs, que, apesar disso, segue projetando início do ciclo de queda de juros na próxima reunião do Copom.

O resultado é um mercado que incorpora maior volatilidade no curto prazo para os prefixados, e simultaneamente reduz o prêmio do segmento real longo do Tesouro Direto, numa mistura de ruído doméstico e força do cenário externo.

As taxas citadas foram observadas durante a sessão, com referência às leituras e avaliações do dia, e servem para orientar ajustes de estratégia por investidores e gestores.