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Tesouro IPCA+ Devolve R$ 260 Bilhões: Onde Reinvestir para Lucrar com Juros Reais Altos?

Oportunidade Rara no Tesouro IPCA+: Juros Reais Elevados Atraem Investidores

Duas séries de títulos do Tesouro IPCA+, conhecidas como NTN-Bs, vencem neste sábado, 15 de julho, devolvendo cerca de R$ 260 bilhões ao mercado. Este evento representa um momento crucial para os investidores decidirem o futuro desses recursos, seja para reinvestimento ou para outros fins. A escolha da alocação se torna ainda mais importante diante do cenário de juros reais atrativos.

Os papéis que estão prestes a vencer apresentaram retornos notáveis desde 2016. Conforme cálculo do Inter, algumas séries acumularam 255,9% e 234,3% de rentabilidade até a primeira semana de agosto. Em comparação, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) entregou 164,2% no mesmo período, uma diferença expressiva de 70 a 92 pontos percentuais a favor do Tesouro IPCA+.

Essa performance robusta, segundo o Inter, destaca o valor dos títulos indexados à inflação em momentos como o atual. A decisão de onde realocar esses bilhões liberados exige análise cuidadosa das condições de mercado e dos objetivos financeiros de cada investidor. Especialistas apontam caminhos para maximizar os ganhos neste cenário de juros reais elevados, conforme divulgado pelo Inter.

A Janela de Juro Real: Uma Oportunidade Histórica

O banco Inter argumenta que o patamar atual das taxas de juros reais é uma oportunidade rara. Com a taxa Selic em 14% ao ano e o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 4,64%, o Tesouro IPCA+ está oferecendo juros reais entre 7% e mais de 8% ao ano, dependendo do vencimento. O Inter classifica esse nível como excepcional, lembrando que taxas reais acima de 7,5% ao ano só foram vistas em 2015/16 e em 2008.

A média histórica para a série de NTN-Bs com juros semestrais e vencimentos de 5 a 10 anos, utilizada pelo banco, gira em torno de 6% de juro real. Diante disso, a recomendação do Inter é “reforçar a posição em IPCA+” no momento do reinvestimento. A instituição reconhece a volatilidade da marcação a mercado, característica comum em títulos indexados, que pode ser afetada pelo risco fiscal e pela trajetória dos juros reais.

No entanto, quem carregou esses títulos até o vencimento, como é o caso agora, colheu prêmios de forma consistente. Para quem busca segurança e liquidez no curto prazo, o Tesouro Selic continua sendo uma opção sólida, com um retorno nominal elevado quando comparado à média histórica, segundo o Inter.

Estratégias de Reinvestimento: IPCA+ ou Pós-Fixados?

Apesar da recomendação de reforçar a alocação em títulos indexados à inflação, nem todos os especialistas concentram a maioria de seus portfólios neles. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, sugere uma carteira moderada com 40% a 60% em pós-fixados e entre 20% e 30% em títulos atrelados à inflação.

Augusto Parente, sócio-fundador da AW Capital, adota uma estratégia com 50% em pós-fixados, 35% em títulos de inflação e 15% em prefixados. Ele defende que a parcela pós-fixada deve ser a maior parte do portfólio do investidor brasileiro, citando o juro nominal ainda na casa dos 14%. Bruno Corano, CEO da Corano Capital, prefere o pós-fixado para o curto prazo, destacando que em julho o IMA-S (espelho do Tesouro Selic) subiu 1,23%, enquanto o IMA-B (títulos públicos de inflação) avançou 0,97%.

Corano alerta para o risco de confundir taxa alta com ausência de risco. Um título IPCA+ com 8% de juro real ainda está exposto à marcação a mercado, risco de crédito, liquidez e custo de oportunidade. A discussão sobre qual vencimento escolher entre os títulos de inflação também gera divergências entre os especialistas.

Vencimentos e Recomendações de Especialistas

Bruno Perri prefere os vencimentos do Tesouro IPCA+ entre 2032 e 2040, considerando a taxa de 2032 como a melhor opção atual, com uma duration bem contida. Augusto Parente divide por horizonte: 2032 e 2037 para prazos mais curtos, devido à menor duration, e 2045 e 2050 para investidores mais arrojados que operam na curva de juros.

Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, também aponta os vencimentos intermediários como atrativos. Para objetivos de longo prazo, como aposentadoria ou educação dos filhos, o Inter sugere os vencimentos intermediários e longos do Tesouro IPCA+ (2032, 2040 e 2050). Isso permite travar um prêmio real acima da média por muitos anos, potencializando o efeito dos juros compostos.

Crédito Privado: Alternativas com Potencial de Retorno

O Inter também menciona o crédito privado como uma alternativa para quem busca retornos superiores. Essa classe de ativos frequentemente oferece taxas mais atrativas e isenção de Imposto de Renda, mas com um risco proporcionalmente maior e a necessidade de uma diversificação cuidadosa. CDBs indexados à inflação emitidos em julho apresentaram taxas médias de IPCA + 8,32% para 12 meses, IPCA + 8,46% para 24 meses e IPCA + 8,39% para 36 meses, segundo a Quantum Finance.

Felipe Passero, CEO da Jaguaretê Investimentos, nota que o prêmio no high grade (papéis de empresas com alta classificação de crédito) está apertado. Ele vê mais valor em high yield com garantia real. Parente, por outro lado, prefere o high grade de grandes emissores, além de CDBs de bancos médios dentro do limite do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Bruno Perri tem voltado sua atenção para Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs), inclusive no mercado secundário.

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