Tesouro Direto: Títulos IPCA+ de Longo Prazo Superam 7% de Juro Real em Meio a Cenário de Risco Global
As taxas do Tesouro Direto apresentaram alta nesta segunda-feira (9), com destaque para os títulos atrelados à inflação. Em prazos mais longos, os juros reais voltaram a ultrapassar a marca de 7% ao ano, refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais.
O cenário é influenciado pela intensificação da guerra no Oriente Médio e pela disparada do preço do petróleo, que geram preocupações com a pressão inflacionária. Essa conjuntura tem levado investidores a buscar a segurança de ativos como os títulos públicos indexados ao IPCA.
A escalada militar na região e os novos ataques iranianos, que atingiram inclusive uma refinaria no Bahrein, elevam os temores sobre possíveis interrupções no fornecimento global de energia. Conforme informações de mercado, o petróleo voltou a negociar acima de US$ 100 o barril, reacendendo o receio de um quadro de estagflação.
Esses fatores, somados à projeção de alta para a taxa Selic em 2026, conforme o Boletim Focus, que subiu para 12,13% ao ano, contribuem para a valorização dos juros oferecidos pelos títulos públicos. “A tendência parece ser de uma sessão mais alinhada com o que vimos ao longo da semana passada, quando dólar e petróleo avançaram, enquanto ações e moedas de países emergentes recuaram, refletindo uma maior aversão ao risco em meio ao conflito no Oriente Médio”, pontua Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da Stonex.
Tesouro IPCA+ 2032 e 2037 Mostram Valorização Significativa
Na comparação com a última sexta-feira (7), os papéis indexados ao IPCA registraram uma abertura relevante nas taxas. O Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, viu sua rentabilidade subir de 7,78% para 7,89% ao ano. Já o IPCA+ 2037 avançou de 7,58% para 7,67%.
Esses movimentos indicam um maior prêmio exigido pelos investidores para alocar seus recursos em títulos de longo prazo, especialmente aqueles que oferecem proteção contra a inflação. A busca por esses ativos se intensifica em momentos de incerteza econômica e geopolítica.
Títulos de Longuíssimo Prazo Voltam a Superar os 7% de Juro Real
Na ponta mais longa da curva de juros reais, o impacto é igualmente expressivo. O Tesouro IPCA+ 2040 passou de 7,29% para 7,40%, enquanto o IPCA+ 2045 subiu de 7,27% para 7,36%. Um marco importante foi o retorno do IPCA+ 2050 acima dos 7% de juro real, avançando de 6,95% para 7,06%.
O título mais longo disponível no Tesouro Direto, o IPCA+ 2060, também registrou alta em sua rentabilidade, passando de 7,18% para 7,27%. Esses retornos mais elevados em prazos extensos refletem a maior demanda por proteção contra a inflação futura em um cenário de incertezas.
Tesouro Prefixado Também Apresenta Alta nas Taxas
Os papéis prefixados do Tesouro Direto também acompanharam a tendência de alta. O Tesouro Prefixado 2029 teve sua taxa elevada de 13,33% para 13,50% ao ano. No prazo de 2032, o título prefixado avançou de 13,94% para 14,07%.
Para investidores que buscam travar uma taxa de retorno fixa, as novas taxas oferecem oportunidades, embora o cenário de volatilidade demande cautela. O título prefixado com juros semestrais 2037, por exemplo, subiu de 14,11% para 14,21%, demonstrando a elevação geral das taxas em todas as modalidades.