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Trader Caio Scotte revela como superou 77 pregões de perdas com disciplina e visão de longo prazo no mercado

Caio Scotte relata fase mais difícil no trading, com 77 pregões de perdas e como se recuperou

Um trader experiente, Caio Scotte, compartilhou em recente entrevista como enfrentou um dos períodos mais desafiadores de sua carreira: uma sequência de 77 pregões consecutivos em drawdown, ou seja, operando no prejuízo. Essa fase, que ocorreu em 2024, o fez questionar a própria eficácia de suas estratégias e abalou a confiança construída ao longo de anos no mercado financeiro.

A dificuldade em reverter a curva de resultados colocou à prova a resiliência de Scotte. A cada pregão, a pressão aumentava, e a dúvida sobre se o método operacional ainda funcionava se tornava cada vez mais presente. Foi nesse cenário de incerteza que o trader buscou em sua própria experiência e em ferramentas de gestão para atravessar o momento turbulento.

Conforme relatado por Caio Scotte no episódio 84 do programa GainDelas, do canal GainCast, a recuperação exigiu mais do que apenas habilidade técnica. Foi necessário um forte controle emocional, uma visão de longo prazo e a utilização de métodos de acompanhamento de risco e registro de operações. Essas práticas foram fundamentais para que ele não abandonasse seu método de trading, mesmo quando os resultados de curto prazo eram negativos. A entrevista completa detalha como esses pilares sustentaram sua decisão de seguir executando sua estratégia.

A pressão de 77 pregões em drawdown

O ano de 2024 apresentou um cenário atípico para Caio Scotte, com uma sequência de 77 pregões em que a sua performance ficou negativa. Essa longa duração do drawdown amplificou a pressão sobre cada nova operação, testando a confiança que ele havia construído com anos de atuação no mercado. “Eu fiquei 77 pregões em drawdown, 77 pregões”, revelou o trader.

À medida que a curva de resultados demorava a se recuperar, o problema transcendia a esfera financeira, impactando diretamente a confiança em seu operacional. Mesmo com vasta experiência, Scotte chegou a questionar a validade de suas estratégias. “Será que tá funcionando ou não?”, ponderou ele, demonstrando a profundidade da dúvida que atingiu seu processo de tomada de decisão.

Visão de longo prazo e o uso da unidade de risco (R)

Para superar esse período sem abandonar seu método, Scotte recorreu à sua experiência acumulada e a registros anteriores. A segurança para continuar operando não veio do pregão seguinte, mas sim da confiança em testes, operações passadas e registros detalhados. O histórico serviu como um farol quando os resultados recentes não ofereciam sinais positivos. “Só tendo a confiança através daquele trabalho árduo que você fez ao longo de muito tempo”, explicou.

Scotte exemplifica a importância da visão de longo prazo ao mencionar que, apesar de estar com um saldo negativo de 17,98R no mês, seu desempenho anual aponta para aproximadamente 420R positivos. Essa diferença evidencia como uma janela de tempo curta pode distorcer a avaliação da estratégia. “Eu não olho mais curva — se eu fechei semana positivo. Eu não olho mais se eu fechei mês positivo”, afirmou.

A utilização do ‘R’, que representa uma unidade de risco definida antes de cada operação, permite comparar resultados independentemente dos valores em reais. Uma perda de 1R corresponde ao risco máximo previsto para um trade, e os ganhos são medidos pela mesma referência. Essa padronização é crucial para enxergar a performance além do saldo recente. “Ao longo do ano estou mega pra frente”, observou.

O diário de trade como ferramenta contra a dúvida

Além da gestão de risco e da visão de longo prazo, o diário de trade se mostrou uma ferramenta indispensável. Scotte mantém um registro detalhado de suas operações em uma planilha que se transformou em um dashboard. Este material compila entradas, saídas, riscos e resultados, permitindo confrontar a execução com o plano inicial.

Quando a confiança diminui, o histórico registrado oferece evidências mais concretas do que os resultados dos últimos pregões. “É importante fazer um diário de trade. É importante documentar. É importante você conhecer seus números”, enfatizou Scotte. Ele apresenta suas operações em transmissões ao vivo, o que acrescenta responsabilidade e cria um suporte adicional em períodos de pressão. “Eu nunca mais na minha vida opero sozinho. Nunca mais”, assegurou.

A revisão constante do diário ajuda a identificar operações indevidas ou riscos que fugiram do previsto. Em vez de julgar o dia pelo saldo final, Scotte retorna aos registros para verificar a aderência ao processo. Isso garante que um resultado positivo não mascare uma execução ruim, e que um stop loss correto seja visto como parte integrante do método. “Talvez esse trade eu não teria feito assim”, reconheceu.

Disciplina e vantagem matemática: a base para suportar drawdowns

Suportar um drawdown prolongado não significa insistir cegamente em uma estratégia. Para continuar operando, o trader precisa encontrar evidências de vantagem matemática e compreender o comportamento esperado de perdas e ganhos. Sem essa base sólida, a disciplina se confunde com mera esperança.

“Esse modelo tem grana, tem vantagem matemática? Faz. Não, não tem? Não faz”, defendeu Scotte, ressaltando a importância de operar com base em análises e probabilidades, e não em achismos. A decisão de continuar ou não com uma estratégia deve ser fundamentada em dados e em um entendimento profundo de seu funcionamento, mesmo em momentos de adversidade no mercado.

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