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Trégua no Irã: Por que o setor aéreo e o preço das passagens aéreas não terão alívio imediato, segundo a Iata

Iata alerta: Trégua no Irã não garante queda imediata no preço das passagens aéreas

Apesar da recente trégua entre Estados Unidos e Irã, o setor aéreo mundial pode não sentir um alívio imediato nos custos, especialmente no que diz respeito ao preço das passagens. A instabilidade recente no mercado de combustíveis, somada a outros fatores estruturais, continua a pressionar as companhias aéreas e, consequentemente, os consumidores.

O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), Willie Walsh, foi enfático ao afirmar que a reabertura do Estreito de Ormuz, se ocorrer, levará meses para normalizar a oferta de querosene de aviação. Isso se deve aos danos na capacidade de refino no Oriente Médio, uma região crucial para a produção de derivados de petróleo.

A alta do petróleo, que já pressiona as companhias, tende a ser repassada aos passageiros. A Iata destaca que existe uma **correlação quase direta entre o preço do petróleo e o valor das passagens**, tornando o aumento das tarifas uma consequência quase inevitável diante do peso do combustível na estrutura de custos do setor. A informação foi divulgada durante um evento em Singapura.

Impacto do petróleo e a realidade do querosene de aviação

Willie Walsh explicou que a **alta recente do petróleo já impacta as companhias aéreas**, e essa tendência se reflete no custo final para o consumidor. A afirmação de Walsh, de que o aumento das tarifas é “inevitável”, sublinha a dificuldade do setor em absorver esses custos sem repassá-los.

Embora a indústria da aviação já tenha enfrentado choques semelhantes e demonstre capacidade de adaptação, inclusive com ajustes na oferta e na gestão de preços, o impacto de curto prazo é inegável. A velocidade com que a oferta de combustíveis refinados se normaliza é crucial, e não apenas a do petróleo bruto.

Apesar da reação inicial positiva dos mercados ao cessar-fogo, o executivo da Iata ressaltou que o setor aéreo continuará sob pressão nos próximos meses. Isso ocorre porque a recente crise energética expôs **fragilidades estruturais na oferta de combustíveis para aviação**, particularmente a falta de estoques estratégicos de querosene.

Estoques de querosene: um ponto de vulnerabilidade

Ao contrário do petróleo bruto, que conta com reservas estratégicas em diversos países, o querosene de aviação não possui estoques relevantes. “Temos estoques estratégicos de petróleo, mas não de querosene de aviação”, afirmou Walsh, enfatizando que a segurança energética do setor depende cada vez mais da capacidade de refino.

O impacto, contudo, vai além da aviação. O querosene representa apenas uma parte da produção das refinarias. “Não é só o combustível de aviação. Os outros 90% dos produtos refinados também são afetados”, disse Walsh, evidenciando a interligação do mercado.

Ajuste gradual e a necessidade de políticas energéticas reavaliadas

O setor aéreo enfrenta um descompasso no curto prazo, pois muitas passagens foram vendidas antes da alta recente dos custos. Isso limita a capacidade de repasse imediato. O ajuste, portanto, tende a ocorrer de forma gradual, com novas tarifas incorporando o aumento das despesas.

A concentração da capacidade de refino em poucas regiões aumentou a vulnerabilidade global a choques de oferta. Por isso, Walsh defendeu que os governos **reavaliem suas políticas energéticas**. A crise atual deve servir de alerta para decisões mais embasadas em dados, focando não apenas no petróleo bruto, mas também na disponibilidade de derivados essenciais como o querosene de aviação.