Trump pressiona Irã por acordo no Estreito de Ormuz e ameaça com ataques aéreos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Irã tem uma “última chance” para chegar a um acordo com Omã sobre a questão do Estreito de Ormuz, alertando que, caso contrário, o país enfrentará “ataques aéreos devastadores”. A declaração foi feita por Trump a repórteres, indicando que a decisão final sobre o conflito, que já impacta os preços globais de energia, ocorrerá “hoje ou amanhã”.
A escalada da tensão ocorre após Trump ter cancelado um grande ataque contra a República Islâmica no fim de semana, que, segundo ele, envolveria Israel. A busca por uma solução diplomática parece depender de negociações entre Omã e Irã para garantir a livre navegação no estreito, um ponto estratégico vital para o comércio mundial.
A posição intransigente do Irã, que insiste em ter o direito de gerenciar o tráfego marítimo e retaliar contra embarcações não autorizadas, dificulta os esforços de Trump para encerrar a crise iniciada no final de fevereiro. Conforme informações divulgadas pela Bloomberg, a dificuldade em resolver a situação já provocou um aumento nos preços do petróleo, afetando a economia e o cenário político americano às vésperas das eleições de meio de mandato.
Pressão diplomática e ameaças de retaliação
O petróleo Brent subiu 1,8% na terça-feira, alcançando US$ 85,29 o barril, apesar de uma queda acumulada de cerca de 5% na semana, após Trump anunciar a suspensão dos ataques e dar tempo para a diplomacia. No entanto, a República Islâmica prometeu uma retaliação feroz contra quaisquer ataques conjuntos entre EUA e Israel, demonstrando capacidade de causar danos significativos a nações do Golfo.
Trump, que já recuou de ameaças anteriores de ataques massivos contra o Irã, pode intensificar a pressão caso opte pela ação militar desta vez. Tal medida certamente pressionaria ainda mais os preços do petróleo para cima, gerando instabilidade econômica global.
Irã exige “primeiro passo” dos EUA e mantém postura firme
Um alto funcionário iraniano pediu aos EUA que “dessem o primeiro passo e mudassem seu comportamento”, retornando aos termos do acordo firmado em junho. Mohsen Rezaee, assessor do líder supremo do Irã, alertou que “navios de guerra e bases americanas estarão em sério perigo” se Trump não suspender o bloqueio aos portos iranianos. A exigência de Teerã para que não haja “cobrança” pelo acesso ao estreito de Ormuz é uma condição fundamental para qualquer acordo.
Estreito de Ormuz: gargalo estratégico e negociações complexas
A Bloomberg noticiou anteriormente que Mascate e Teerã estavam discutindo a reabertura da “Passagem do Meio” no Estreito de Ormuz. Contudo, fontes indicam que a passagem foi minada pelo Irã e pode necessitar de desminagem para o tráfego regular. O estreito, um canal vital para o fornecimento de petróleo, gás natural liquefeito e outras mercadorias, permanece praticamente fechado, com pouquíssimos navios navegando por ali, a maioria com permissão iraniana ou pela rota ao sul, perto do território omanita.

