O Tribunal Superior Eleitoral realiza uma sessão extraordinária no plenário virtual para definir as regras sobre a remoção de conteúdos falsos de Nossa Senhora Aparecida que circulam nas redes sociais.
A disputa jurídica ganhou novos contornos após decisões divergentes entre ministros do STF e do TSE, gerando um impasse sobre a competência para julgar o caso. O cenário envolve a proteção do processo eleitoral contra a desinformação.
O foco da controvérsia são publicações que associam o candidato Flávio Bolsonaro a uma suposta proposta de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. Conforme informações divulgadas pelo Diário 360, o caso será analisado nesta quarta-feira, dia 30.
A origem da polêmica nas redes sociais
Tudo começou com a circulação massiva de informações falsas nas redes sociais. Os posts alegavam, sem qualquer prova, que o candidato Flávio Bolsonaro apoiaria uma iniciativa para retirar o título da Santa. Não existe nenhum registro ou declaração que sustente essa afirmação, sendo o conteúdo classificado como falso.
A campanha do candidato acionou a Justiça Eleitoral, apontando um alcance expressivo da desinformação. Dados apresentados ao tribunal indicam que, até o dia 25 de setembro, foram identificadas 2.086 postagens em 1.674 contas, acumulando mais de 21 milhões de visualizações sobre o tema.
As decisões divergentes e o impasse institucional
Inicialmente, o ministro André Mendonça determinou a remoção dos conteúdos, fixando uma multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento. A medida visava conter a propagação de fake news que utilizavam a imagem de Nossa Senhora Aparecida para fins eleitorais.
Contudo, o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu parte dessa decisão ao autorizar a restauração de uma publicação do humorista Antonio Tabet. Na sequência, o ministro Luiz Fux reverteu a ordem de Dino, mantendo a remoção dos posts até que o plenário do TSE analise o mérito da questão.
O papel do plenário virtual do TSE
Diante do conflito de entendimentos, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, convocou a sessão extraordinária no plenário virtual. O objetivo é unificar o posicionamento da Corte Eleitoral e definir os limites para a remoção de conteúdos considerados desinformativos.
A sessão está prevista para ocorrer das 10h às 23h59 desta quarta-feira. O resultado deste julgamento servirá como um importante precedente para a atuação da Justiça Eleitoral no combate a mentiras que utilizam símbolos religiosos, como Nossa Senhora Aparecida, durante as campanhas.
Expectativas para o desfecho do caso
O julgamento não apenas decide sobre a permanência ou não dos posts, mas também discute a liberdade de expressão e os limites da atuação judicial. Até que os votos sejam proferidos, o cenário jurídico permanece em aberto, aguardando a decisão colegiada dos ministros.
A expectativa é que o TSE estabeleça parâmetros claros para evitar novas interferências institucionais. Enquanto a votação não ocorre, a atenção de eleitores e especialistas em direito eleitoral se volta para Brasília, aguardando o desfecho definitivo sobre as postagens envolvendo Flávio Bolsonaro.

