A revolução da Inteligência Artificial pode ser o estopim para uma desvalorização sem precedentes do Real, com o dólar podendo atingir patamares de R$ 8, segundo Marcio Appel, gestor da Adam Capital. Enquanto investidores celebram a estabilidade atual do câmbio, Appel adverte sobre uma “ilusão” prestes a se desfazer e um cenário de “pandemônio”.
O mercado financeiro tem comemorado a cotação do dólar abaixo dos R$ 5 e a expectativa de retorno do fluxo estrangeiro para a Bolsa de Valores brasileira. No entanto, essa visão otimista pode estar ofuscando um movimento de magnitude global: a revolução da Inteligência Artificial (IA).
Marcio Appel, cofundador da Adam Capital e conhecido por suas teses fora do consenso, alerta que a IA não é apenas uma tendência passageira, mas sim um “tsunami” tecnológico com potencial para redefinir a economia mundial e fortalecer o dólar de forma expressiva.
Em entrevista ao InfoMoney, Appel comparou o atual momento com a segunda metade dos anos 1990, quando o boom da internet nos Estados Unidos drenou capital global, valorizando o dólar em quase 60% contra o euro e desencadeando crises cambiais em economias emergentes, incluindo o Brasil. Agora, segundo ele, o cenário é ainda mais intenso, com empresas líderes da IA apresentando lucros reais e demanda crescente por capital.
IA: Um “tsunami” que irá fortalecer o dólar globalmente
Appel descreve a revolução da IA como algo sem precedentes, de uma ordem de grandeza superior à Revolução Industrial. “Nunca teve nada tão óbvio, será um tsunami”, afirmou o gestor, que começou a investir em Nvidia em 2022, quando a inteligência artificial ainda era vista como mera curiosidade pelo mercado.
Apesar das comparações com a bolha da internet de 2000, Appel considera o raciocínio equivocado. Ele argumenta que o mercado, traumatizado pelo passado, tem medo de “água fria”. “Toda vez que alguém fala de bolha, que chegou no topo, eu fico feliz”, ironizou o gestor.
EUA como epicentro da revolução tecnológica e econômica
Na visão de Appel, os Estados Unidos são atualmente o melhor lugar do mundo para se investir, pois é lá que as coisas estão sendo feitas “certo do ponto de vista econômico” e onde a revolução tecnológica está acontecendo. “Enquanto o resto do mundo se pergunta o que o governo pode fazer para ajudar, nos EUA é o contrário: vamos tirar o governo de todos os lugares”, destacou.
Essa perspectiva se reflete na estratégia da Adam Capital, que está comprada em ações americanas de tecnologia e vendida em bolsa brasileira. A gestora também está vendida em uma cesta de moedas contra o dólar e “tomada” em juros nominais e inflação implícita no Brasil.
Mercado posicionado contra o dólar, mas o câmbio pode ir para R$ 8
Appel acredita que o mercado está “totalmente posicionado contra o dólar”, uma aposta que ele considera arriscada. “O câmbio não deveria estar em R$ 5, deveria estar em R$ 8”, sentenciou o gestor, defendendo a ideia de que a taxa Selic no Brasil ainda está em patamares “expansionistas” e não “contracionistas” como deveria ser.
A tese de investimento da Adam Capital, focada em apostar contra o dólar e a favor de um real mais fraco, tem gerado resultados expressivos. O fundo Adam Macro II, por exemplo, registrou o melhor mês desde seu início em abril, com retorno de 14,42%, mais de 13 vezes o CDI.
Fundo aposta em empresas da cadeia de suprimentos de IA
A Adam Capital retornou a operar ações individuais em seus multimercados, concentrando a carteira em empresas da cadeia de suprimentos de IA. Essa estratégia tem impulsionado a performance recente dos fundos da gestora.
Para Appel, o cenário mais impactante ainda está por vir. “O nosso cenário ainda não começou a aparecer. Se ele aparecer, o resultado vai ser muito superior ao que aconteceu até aqui”, concluiu o gestor, sinalizando que as valorizações atuais são apenas o prelúdio do que está por vir com o avanço da Inteligência Artificial.