No primeiro turno das eleições 2026 no Distrito Federal, 426.924 eleitores não foram às urnas, um total de 18,9% dos aptos, entre 2.258.320 eleitores.
O índice de abstenção no DF cresceu ao longo de 12 anos, voltando a patamares próximos aos de 2018, e acende um alerta sobre o desgaste do eleitorado diante do tom do debate político.
Uma pesquisa do Observa DF, vinculada à Universidade de Brasília, mostra sinais de cansaço com a campanha, e os números e depoimentos recolhidos ajudam a explicar por que parte do eleitorado ficou longe das urnas, conforme informação divulgada pelo Metrópoles.
Números e comparação histórica
Em 2026 o Distrito Federal registrou 426.924 abstenções no primeiro turno, o que representa 18,9% dos 2.258.320 eleitores aptos. Em 2022, a abstenção no DF foi de 17,57% no primeiro turno, com 387.005 eleitores, e de 16,71% no segundo turno, com 368.148 eleitores.
No pleito de 2018, o percentual foi parecido com o de 2026, com 18,71% no primeiro turno, equivalente a 390.075 eleitores, e 18,93% no segundo, com 394.537 eleitores. Em 2014, quando a polarização ainda era menos intensa, os números foram consideravelmente menores, com 221.387 abstenções no primeiro turno, ou 11,67%, e 239.875 no segundo, ou 12,64%.
Por que a polarização pode ter afastado eleitores
O levantamento do Observa DF indicou que 44% dos 1.000 eleitores entrevistados classificaram as conversas sobre a campanha como estressantes ou frustrantes. Para especialistas, esse desgaste do ambiente político ajuda a explicar parte da elevação da abstenção no DF.
O cientista político e consultor de relações governamentais João Victor Barbosa avaliou, em declaração reproduzida pelo Metrópoles, que, “Quando 44% dos entrevistados dizem que as conversas sobre a campanha são estressantes ou frustrantes, é razoável deduzir que uma comunicação baseada no confronto, característica habitual das campanhas ancoradas na polarização nacional, possa afastar esse tipo de eleitor das urnas”.
Barbosa acrescentou que, embora não seja possível afirmar quanto dessa percepção se converteu em abstenção, o dado é um sinal para as candidaturas, e observou que “É plausível que o desgaste com o ambiente polarizado tenha contribuído, a pesquisa mostra um eleitorado pouco interessado e cansado do tom do debate”.
O eleitor distante e o desafio das mensagens concretas
Segundo o especialista, existe um contingente de eleitores distantes da disputa que a identidade política, por si só, não tem mobilizado. Para esses eleitores, o que pesa é a percepção de que o voto muda algo concreto na sua vida.
Barbosa recomendou separar mensagem e canal, priorizando problemas específicos da cidade e propostas objetivas, verificáveis e passíveis de implementação, e evitar rótulos como bolsonarismo, petismo, direita e esquerda, porque eles funcionam como senha para quem já escolheu um lado e como ruído para quem está cansado deles.
Estratégias dos candidatos para recuperar quem não foi às urnas
A reportagem procurou os candidatos para saber como pretendem trazer ao menos parte dos eleitores que não votaram no primeiro turno. Celina Leão afirmou que vai trabalhar, “até o último minuto da campanha”, para conversar com quem não compareceu, ouvir e apresentar o que já fez e planeja fazer por Brasília.
Leandro Grass declarou que está mostrando aos eleitores “o desastre que é o governo da Celina”, e, segundo ele, “Mostramos quem é Celina, que recebe mesada e é sócia de empresários que recebem dinheiro do GDF, trai seus aliados e responde a processo por desviar dinheiro de emendas para a saúde e para a educação”.
O desempenho no segundo turno vai depender da capacidade de preservar a base e, simultaneamente, apresentar razões concretas para conquistar eleitores que não se identificam com campos polarizados, uma tarefa que ganha urgência diante do aumento da abstenção no DF.

