A decisão do governo de reajustar o Bolsa Família em 15,04% pouco antes do pleito eleitoral gerou duras críticas de um antigo aliado da gestão petista.
O economista Armínio Fraga, que presidiu o Banco Central, não poupou palavras ao avaliar a movimentação do governo federal. Segundo ele, a medida possui um caráter puramente eleitoreiro, o que ele define como populismo.
A polêmica ganha contornos ainda mais significativos pelo fato de Fraga ter declarado apoio a Lula durante as eleições de 2022. Agora, o economista questiona abertamente os critérios da atual administração.
Conforme informações divulgadas pelo Diário 360, o debate central gira em torno do impacto fiscal dessas medidas e da escolha estratégica do calendário para o anúncio dos reajustes.
O impacto financeiro do reajuste
Os números do reajuste são expressivos e despertam atenção de especialistas. O benefício por integrante subiu de R$ 142 para R$ 164, enquanto o piso familiar passou de R$ 600 para R$ 691.
Esse aumento, na prática, gera um impacto adicional estimado em R$ 5,8 bilhões para 2026 e um salto para R$ 22 bilhões em 2027, pressionando as contas públicas.
A polêmica do calendário eleitoral
Um dos pontos mais criticados por Armínio Fraga é o cronograma de pagamentos. Os novos valores começam a ser liberados em 19 de outubro, apenas 15 dias após o primeiro turno das eleições.
Para o economista, essa proximidade com o período de votação configura uma tentativa de influenciar o eleitorado, caracterizando, segundo sua análise, o chamado populismo.
Governo defende recomposição
Do outro lado, a equipe econômica do governo sustenta que o aumento de 15,04% no Bolsa Família não se trata de uma manobra política, mas sim de uma necessária recomposição de valores frente à inflação.
A gestão petista argumenta que o objetivo é garantir a manutenção do poder de compra das famílias beneficiárias, mantendo o foco social da política de transferência de renda.
Críticas à falta de prioridades
Fraga vai além e afirma que o problema central do governo não é apenas a responsabilidade fiscal, mas a ausência de uma estratégia clara para a condução da política social no país.
O economista aponta que é preciso definir prioridades reais para o uso do dinheiro público, questionando se o governo está realmente focado nas necessidades estruturais da população brasileira.

