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Banco do Brasil (BBAS3): Lucro em Queda e Inadimplência em Alta Preocupam Analistas Antes de Balanço

Banco do Brasil enfrenta trimestre adverso com projeções de lucro em baixa e foco na inadimplência.

O Banco do Brasil (BBAS3) se prepara para divulgar seu balanço do segundo trimestre, e as expectativas do mercado indicam um período de desafios. Analistas apontam para uma combinação de fatores que pressionam a rentabilidade da instituição, com destaque para o aumento do custo do risco e a qualidade da carteira de crédito.

A temporada de resultados do setor financeiro tem sido marcada por comparações com concorrentes que apresentaram resiliência. No entanto, o BBAS3 parece seguir uma trajetória distinta, gerando cautela entre os investidores e casas de análise renomadas.

A principal preocupação reside na evolução da inadimplência, especialmente no segmento do agronegócio, e em como o banco tem provisionado essas potenciais perdas. O mercado agora aguarda sinais de estabilização ou melhora nesses indicadores para avaliar a recuperação futura da rentabilidade do Banco do Brasil.

Itaú BBA prevê lucro líquido em queda e rentabilidade modesta para o BBAS3.

O Itaú BBA, em sua análise, projeta um cenário de modesto crescimento da carteira de crédito do Banco do Brasil, próximo a 1% na comparação anual. Além disso, a instituição estima um **custo de risco elevado**, ao redor de 6,4%, refletindo tanto fatores sazonais ligados ao agronegócio quanto uma deterioração mais ampla da qualidade da carteira.

Com base nesse cenário, o Itaú BBA estima um lucro líquido de R$ 2,9 bilhões no segundo trimestre, o que representaria uma queda de 25% em relação ao mesmo período de 2025. O retorno sobre patrimônio (ROE) projetado é de apenas 5,8%. A casa de análise revisou para baixo suas projeções para o banco, após observar níveis de provisões superiores aos inicialmente esperados.

Bank of America e JPMorgan reforçam cautela com a qualidade dos ativos do BBAS3.

O Bank of America também mantém uma visão cautelosa para o Banco do Brasil. O banco americano destaca o aumento recente dos índices de inadimplência no sistema financeiro, com atenção especial ao crédito rural. A instituição projeta um ROE de apenas 7,4% para o BBAS3 no trimestre, o menor entre os grandes bancos cobertos pelo seu relatório.

Na mesma linha, o JPMorgan afirma que a qualidade dos ativos deverá dominar as discussões sobre o Banco do Brasil durante a temporada de resultados. O banco vê preocupações persistentes com a carteira do agronegócio e com a evolução da inadimplência nos próximos trimestres. Esses fatores sustentam a preferência do JPMorgan por Itaú e Nubank em detrimento de Banco do Brasil e Santander Brasil.

O que o mercado espera para o futuro do Banco do Brasil?

A leitura predominante entre os analistas é de que o Banco do Brasil ainda atravessa um período desafiador. A combinação de rentabilidade mais baixa, provisões elevadas e incertezas envolvendo o agronegócio segue limitando as expectativas para os resultados da instituição.

Octaciano Neto, fundador da Zera, avalia que o desempenho pressionado já era esperado, o que tende a limitar movimentos bruscos nas ações após a divulgação do balanço. Para ele, o foco agora estará menos no resultado passado e mais nos sinais sobre a evolução da inadimplência e do custo do crédito nos próximos meses.

A principal questão para o mercado será identificar se os indicadores de atraso começaram a perder força ou se ainda haverá necessidade de reforçar as provisões para perdas. Qualquer evidência de estabilização da inadimplência poderá ser interpretada como um passo importante para a recuperação da rentabilidade do Banco do Brasil.

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