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Brasil precisa retomar mega projetos de mineração de US$15 a US$20 bilhões, Vale diz ter capital e apresenta estudo para destravar setor

Vale defende volta de mega projetos de mineração de US$15 a US$20 bilhões, diz que tem capital e propõe agenda coordenada para destravar o potencial mineral do Brasil

O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que o Brasil deveria voltar a realizar mega projetos de mineração, de US$15 bilhões a US$20 bilhões, e que a mineradora tem capital para tocá‑los, ao defender reformas para o setor que destravam o potencial do país.

Segundo Pimenta, o último mega projeto da companhia foi a mina S11D, inaugurada há cerca de dez anos na Serra de Carajás, no Pará, e há ainda muito potencial a ser desenvolvido na região, onde a Vale extrai grande parte do seu minério de ferro.

As declarações e o estudo foram apresentados no fórum ‘Destravando o Potencial da Mineração no Brasil’, em Brasília, conforme informação divulgada pela Reuters.

Por que a Vale defende a retomada de mega projetos

Pimenta afirmou, em evento com proposta para o setor, ‘Nós temos capital, temos como fazer, temos conhecimento técnico. A gente precisa entender que esses projetos vão mover o ponteiro, a gente tem a infraestrutura, e a gente precisa acelerar o desenvolvimento desses projetos’.

Ao citar a experiência recente, o executivo destacou que o país precisa identificar ‘projetos transformacionais’ que possam ser trabalhados em forças‑tarefa junto ao governo, com ‘todo rigor ambiental necessário’, para acelerar investimentos de grande porte.

O estudo, propostas e os números citados pela Vale

No estudo com propostas para o setor, elaborado com a colaboração da consultoria Accenture, a Vale defendeu que ‘a produção mineral anual do Brasil pode saltar para até R$535 bilhões em 2035, aumento de 78% na comparação com os cerca de R$300 bilhões atuais, caso seja implementado um conjunto de medidas que permita a otimização do licenciamento ambiental, ampliação do mapeamento geológico e fortalecimento da regulação do setor’.

O relatório aponta que o Brasil reúne algumas das maiores reservas globais de minerais estratégicos, mas perdeu competitividade na última década por questões ligadas ao licenciamento, à infraestrutura e ao conhecimento geológico. Hoje, ‘somente 28% do território nacional possui cobertura geológica considerada adequada para orientar investimentos em pesquisa mineral’, segundo o levantamento.

A Vale estima ainda que, se as medidas forem implementadas, ‘o setor poderia gerar R$1,3 trilhão em arrecadação entre 2026 e 2035, ante cerca de R$743 bilhões arrecadados na última década, além de elevar o número de empregos diretos, indiretos e induzidos para até 5,3 milhões no período, caso as iniciativas propostas sejam implementadas’.

Riscos, legado e a resposta da empresa

A Vale reconheceu as lições dos episódios mais graves da mineração no Brasil, e Pimenta afirmou que isso tem levado mudanças internas, ‘a partir de muita dor e aprendizado’. Ele lembrou que ‘Brumadinho foi um momento de muita dor para a companhia, para a sociedade. Nós frustramos a sociedade brasileira naquele momento, geramos muita dor, muito impacto, e desde então a companhia passa por uma profunda transformação’.

Nos últimos anos, a Vale precisou cortar capacidade de produção e rever a segurança de diversos projetos após o rompimento mortal de duas barragens de mineração em Minas Gerais, em 2015 e 2019, o que elevou cobranças regulatórias e exigências socioambientais para novos empreendimentos.

Agenda ao Estado e próximos passos

Além de defender a retomada de grandes projetos, a proposta apresentada pela Vale prevê padronização dos processos de licenciamento, fortalecimento de órgãos reguladores e ambientais, incentivos à transformação mineral, melhorias na infraestrutura e no fornecimento de energia e a implementação de uma política nacional para minerais críticos e estratégicos.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, presente ao evento, afirmou que o Estado precisa ser parceiro para acelerar investimentos e que há interesse crescente no segmento diante da demanda global por minerais críticos.

A Vale anunciou que a proposta elaborada a partir do estudo será entregue aos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026, buscando transformar as medidas em política de Estado para ampliar a participação do Brasil no mercado internacional de minerais críticos.

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