O Sistema Cantareira deixa a condição crítica e passa a ser operado com mais folga para abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo a partir de sábado, 28 de fevereiro.
Em 31 de janeiro, o nível estava em 22,66%, e nesta sexta-feira, 27, o sistema atingiu 35,24% do volume útil, resultado das chuvas de fevereiro, que ficaram acima da média histórica.
Apesar da recuperação, a situação permanece de alerta, porque o manancial precisa de mais chuvas em março para enfrentar o período seco que começa em abril, conforme informação divulgada pela Sabesp, ANA e SP Águas.
Como as chuvas influenciaram o volume do sistema
Depois de quase um ano com precipitações abaixo da média na região do sistema, fevereiro trouxe acumulado de 244,7 milímetros, acima da média histórica de 200,8 mm. Esse aporte ajudou o Cantareira a recuperar parte do volume útil, evitando que a situação piorasse após o nível mais baixo de 2026, quando em 16 de janeiro o volume chegou a 19,4%, o menor em dez anos.
O que muda na operação e na captação
As agências reguladoras ANA e SP Águas autorizaram a operação do sistema na Faixa 3, Alerta, em vez da Faixa 4, Restrição, em vigor desde 1.º de outubro de 2025. Com a mudança, a Sabesp está autorizada a retirar do Cantareira até 27 m³/s, em vez dos até 23 m³/s autorizados até fevereiro.
Além disso, em março a Sabesp poderá utilizar, além dos 27 m³/s do Cantareira, a vazão transposta no reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, respeitando o limite outorgado, o que amplia as alternativas operacionais para abastecimento.
Redução de pressão e impacto para os moradores
A melhora no nível não altera, por ora, a redução noturna da pressão que limita a oferta de água por 10 horas entre 19h e 5h, uma medida adotada pela Sabesp para reduzir o consumo. A companhia informou que eventual mudança depende das agências reguladoras.
A Sabesp aponta uma economia de mais de 80 bilhões de litros graças à redução da pressão, porém a estratégia tem provocado reclamações por faltas temporárias de água entre os usuários.
Estado do Sistema Integrado e previsões para março
O Sistema Integrado Metropolitano, formado pelo Cantareira e outros seis mananciais, está com volume de 47,1% e opera na Faixa 3, que prevê 10 horas de redução noturna diária. A operação do SIM prevê faixas de 1 a 7, sendo a sétima a de maior gravidade, com volume de água abaixo de 12,57%.
Segundo as agências, a Faixa 2 foi atingida há cinco dias, faltando dois dias para que o ajuste operacional reduza a diminuição noturna para 8 horas. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, Cemaden, estimou que no cenário de chuvas na média o volume útil ao fim de março seria de 39%, e que o sistema deve terminar o verão ainda em estado de alerta.
As agências recomendam que a população e os demais usuários mantenham medidas de uso racional, redução do consumo e combate a perdas, para preservar o volume armazenado nos reservatórios, diante da dependência de novas chuvas em março para consolidar a recuperação.