O fundo XP Infra II, conhecido como XPIE, apresentou uma valorização patrimonial relevante no quarto trimestre de 2025, num cenário de juros reais elevados.
A cota patrimonial subiu de R$ 77 para R$ 81,10, refletindo ganhos em ativos operacionais que passaram por revisão de provisões e pagamentos extraordinários.
Os resultados e as explicações sobre a dinâmica dos ativos foram divulgados pela XP Asset, conforme informação divulgada pela XP Asset.
Desempenho patrimonial e desconto em bolsa
Conforme informado pela XP Asset, o XP Infra II fechou o quarto trimestre de 2025 com uma valorização patrimonial de aproximadamente 4,5%, elevando a cota patrimonial de R$ 77 para R$ 81,10, um ganho equivalente a cerca de R$ 50 milhões no conjunto de participações diretas do fundo.
O resultado surpreende, porque os títulos públicos indexados à inflação, as NTN-Bs, alcançaram patamares históricos de juros, que em tese comprimem o valor presente de projetos e ativos, mas a XP Asset destaca que a qualidade operacional e as receitas previsíveis dos projetos compensaram esse efeito.
No mercado secundário, porém, a cota do fundo segue descontada em relação ao patrimônio, sendo negociada a cerca de R$ 56 na última data-base, o que, segundo a gestora, representa um retorno potencial equivalente à inflação mais 13,7% ao ano.
Fluxo de caixa, distribuição e cronograma
O fundo acumula quase 10 mil cotistas e tem um volume médio diário de negociação de R$ 1,8 milhão. Desde a criação, o XP Infra II já devolveu R$ 587 milhões aos investidores, R$ 67,41 por cota em pouco menos de sete anos.
A gestora confirmou a meta de distribuição de R$ 1 por cota ao mês ao longo de 2026. Para 2027, a previsão é de redução para a faixa entre R$ 0,75 e R$ 0,85 por cota mensal, em razão do encerramento dos pagamentos da debênture Alísio, cujo fluxo se estende até meados de 2027, conforme comunicado da XP Asset.
Impacto da MP 1.304 e reversão de provisões
O tema que mais influenciou os ativos de geração de energia foi o curtailment, os cortes compulsórios de geração impostos pelo operador do sistema elétrico, que obrigam usinas a reduzir ou interromper a produção mesmo com capacidade disponível, pressionando receitas e provisões.
A aprovação da Medida Provisória 1.304 teve efeito considerado extremamente positivo pela gestora, porque, entre os três tipos de corte existentes, dois deixaram de ser cobrados do gerador, aliviando o impacto financeiro sobre os parques do fundo.
O efeito foi imediato no caso de Apodi, usina solar de 162 MWp localizada no Ceará, do qual o fundo recebeu R$ 20 milhões em ressarcimento de cortes passados contabilizados pela regra antiga. A provisão para perdas sobre o ativo caiu de 28% para 8%.
Apodi distribuiu R$ 40 milhões em dividendos aos seus acionistas no período, dos quais R$ 4 milhões foram destinados ao Infra II, segundo a XP Asset.
Parques eólicos Vila Acre e confirmação de saúde financeira
Os parques eólicos Vila Acre I e Vila Acre II, adquiridos há cerca de dois anos por R$ 270 milhões no total, registraram reversão de uma provisão de aproximadamente R$ 15 milhões, o que elevou o lucro de 2025 e abriu espaço para maiores distribuições.
A geração acumulada em 12 meses dos parques subiu de 13 para 15 megawatts médios, e, em menos de dois anos, esses ativos já devolveram quase R$ 80 milhões ao fundo. Antes mesmo da MP, o banco credor dos projetos havia autorizado a distribuição de R$ 43 milhões em dividendos de Vila Acre I, o que para a gestora é prova da saúde financeira dos ativos.
Perspectiva e principais riscos
Para fevereiro de 2026, o cenário é descrito pela XP Asset como marginalmente melhor do que o projetado, com as cobranças de curtailment das eólicas ainda suspensas e sem impacto no caixa do fundo.
O principal risco remanescente é a pressão de juros reais elevados, que pode afetar a precificação de projetos no longo prazo, e a manutenção de regras regulatórias favoráveis, especialmente em relação ao curtailment.
Em resumo, conforme informação divulgada pela XP Asset, o XP Infra II mostrou resiliência operacional e ajuste de provisões que sustentaram a valorização patrimonial, enquanto a cota em bolsa permanece com desconto, oferecendo potencial de retorno a investidores que avaliam preço versus patrimônio.