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Carne Bovina Brasileira: Exportações em Março Faturam R$ 7,7 Bilhões, Mas Volume Cai 6,6%

Exportações de carne bovina do Brasil em março mostram força na receita, apesar da queda no volume embarcado. Entenda os detalhes e os principais mercados.

As exportações brasileiras de carne bovina apresentaram um cenário misto em março. Embora o volume de carne embarcada tenha registrado uma queda de 6,65%, a receita cambial totalizou impressionantes US$ 1,476 bilhão, um aumento de 21,42% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Esse desempenho reflete a valorização dos preços no mercado internacional, um fator crucial para o setor.

Segundo dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), baseados em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a carne bovina in natura, que representa cerca de 90% das vendas externas, liderou o crescimento em receita, com um avanço de 29,14%, alcançando US$ 1,36 bilhão. O volume dessa categoria também cresceu, mas em um ritmo mais moderado.

O cenário geral indica uma desaceleração em comparação com os meses anteriores, o que pode ser atribuído a uma base de comparação elevada após recordes sucessivos em 2025. Mesmo assim, o primeiro trimestre do ano consolidou um desempenho positivo, com alta significativa tanto em receita quanto em volume acumulado. Conforme divulgado pela Abrafrigo, os números demonstram a resiliência e a competitividade da carne bovina brasileira no cenário global.

Carne Bovina In Natura Lidera Receitas, Mas Volume Desacelera

A carne bovina in natura foi a grande estrela das exportações em março, respondendo por quase a totalidade da receita cambial do setor. Os embarques desta categoria somaram US$ 1,36 bilhão, um salto de 29,14% em relação a março de 2025. O volume embarcado de carne in natura também apresentou crescimento, atingindo 233,79 mil toneladas, o que representa um aumento de 8,95%.

Apesar do resultado positivo, o ritmo de crescimento do volume para a carne in natura desacelerou quando comparado a janeiro e fevereiro, meses em que os avanços foram de 28,7% e 24%, respectivamente. Essa desaceleração é vista como natural diante de um cenário de base de comparação alta, fruto de recordes anteriores.

Primeiro Trimestre Consolida Crescimento com Alta de 32,29% na Receita

No acumulado do primeiro trimestre do ano, as exportações totais de carne bovina, incluindo industrializados e subprodutos, atingiram US$ 4,32 bilhões. Este valor representa um crescimento expressivo de 32,29% em relação ao mesmo período de 2025. O volume total embarcado no trimestre chegou a 827,64 mil toneladas, um aumento de 10,98%.

A carne in natura sozinha contribuiu significativamente para esses números, gerando US$ 3,98 bilhões no trimestre, com um avanço de 37,45%. O volume exportado dessa categoria foi de 700,98 mil toneladas, registrando uma alta de 19,92%. O preço médio de exportação da carne bovina brasileira no período subiu 14,61%, alcançando US$ 5.642 por tonelada.

China e Estados Unidos se Destacam como Principais Compradores

A China manteve sua posição como o principal destino da carne bovina brasileira, impulsionando as exportações no primeiro trimestre. As receitas provenientes do mercado chinês somaram US$ 1,816 bilhão, um aumento de 41,83% em comparação com o ano anterior. O volume exportado para a China atingiu 325,68 mil toneladas, com alta de 39,35%.

Os Estados Unidos também apresentaram um desempenho notável, figurando como o segundo maior comprador. Com um déficit interno de oferta, o país aumentou suas importações de carne bovina brasileira. As exportações de carne in natura para os EUA cresceram 60,96% em valor, totalizando US$ 588,98 milhões, enquanto o volume aumentou 28,51%.

União Europeia e Outros Mercados em Expansão

A União Europeia também demonstrou um aumento nas compras de carne bovina brasileira. As vendas de carne in natura para o bloco europeu cresceram 29,48% em receita, alcançando US$ 187,96 milhões, com um aumento de 21,16% em volume. No geral, as exportações para a UE, considerando todos os produtos, somaram US$ 251,57 milhões, um crescimento de 49,84%.

Outros mercados relevantes, como Chile, Rússia e México, também registraram expansão nas importações de carne bovina brasileira. O Chile ampliou suas compras em 27,6% em volume e 36,9% em valor no trimestre. A Rússia apresentou um forte avanço, com alta de 73,4% no volume e 91,1% na receita. O México também mostrou crescimento consistente.

China Consome Quase Metade da Cota Tarifária de Carne Bovina

Uma informação relevante divulgada pela Abrafrigo indica que as exportações brasileiras de carne bovina para a China podem ter consumido cerca de 42,86% da cota tarifária disponível para o Brasil já no primeiro trimestre de 2026. Essa estimativa considera os embarques para o país asiático, que somariam 474,08 mil toneladas no período.

A cota total estabelecida para o Brasil é de 1,106 milhão de toneladas, livre da tarifa extraquota de 55%. Com base nesses números, restariam aproximadamente 631,92 mil toneladas, o que representa cerca de 57% da cota para embarque sem a incidência da tarifa adicional ao longo do restante do ano. A Abrafrigo ressalta que esses números podem sofrer ajustes, pois a China considera o volume que efetivamente chega aos portos para a contagem da cota.