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Como a Food To Save evitou que parceiros perdessem R$ 31 milhões em 2025, convertendo excedente alimentar em receita incremental e aumento de tráfego

Food To Save converteu excedente alimentar em receita e tráfego, gerando R$ 31 milhões em receita incremental para parceiros em 2025, com Sacolas Surpresa e retirada na loja

A startup brasileira surgiu para atacar um problema que corrói margens do varejo alimentar, transformando produtos que ficariam encalhados em vendas com descontos altos.

O modelo reúne lojas com itens próximos ao vencimento ou fora do padrão estético e consumidores dispostos a pagar menos por produtos em perfeitas condições, vendidos em formato de Sacolas Surpresa.

O resultado foi receita incremental para parceiros e mais movimento nas lojas, além de reduzir perdas que consumiam faturamento, conforme informação divulgada ao InfoMoney.

Por que o desperdício é um problema financeiro

No varejo alimentar, a eficiência é medida em centavos, com margens líquidas que oscilam entre apertados 2% e 4%, e qualquer perda ganha proporções dramáticas, segundo análise da própria empresa.

Segundo Lucas Infante, CEO da Food To Save, o descarte de alimentos chega a consumir, em média, 1% do faturamento bruto das redes, o que, na prática, pode representar a destruição de até um terço do lucro líquido das operações.

É nesse espaço de perda que a plataforma atua, convertendo um prejuízo certo em oportunidade comercial, e ajudando redes a protegerem margem e reduzir desperdício.

Como funciona o negócio e as Sacolas Surpresa

O marketplace conecta estabelecimentos a consumidores por meio de um formato simplificado, as Sacolas Surpresa, que permite ao lojista escoar o que sobrou no dia sem um inventário unitário complexo no app.

Os produtos são ofertados com descontos de até 70%, o que atrai consumidores sensíveis a preço, ao mesmo tempo em que garante ao parceiro recuperar receita que seria perdida.

Além da venda em si, a plataforma gera tráfego na loja, porque muitos pedidos são retirados no ponto de venda, criando compras adicionais que não existiriam sem a oferta do excedente.

Impacto comprovado em números e crescimento projetado

Em 2025, a Food To Save gerou R$ 31 milhões em receita incremental para seus parceiros e fechou o ano com faturamento de R$ 160 milhões.

A projeção para 2026 é alcançar R$ 220 milhões, movimento que vem acompanhado de uma estratégia de foco nas cidades onde já atua, em vez de expansão imediata para a América Latina.

O modelo é asset-light, com logística 100% terceirizada via API, o que deixa a startup concentrada em tecnologia e no crescimento da base de parceiros.

Educação de marca, parcerias e resultados operacionais

Para vencer a desconfiança inicial do consumidor e de lojistas, a empresa investiu em educação, evitando termos pejorativos e adotando o conceito de excedente alimentar para deixar claro que o produto é próprio para consumo.

Infante tem sido firme na comunicação, afirmando que “Resto é o que sobra no prato, muitas vezes impróprio. Sobra é um termo mais ligado ao campo. Nós trabalhamos com excedente alimentar”.

O país onde a estratégia mudou de patamar foi quando a startup atraiu grandes nomes, como Cacau Show, Grupo CRM, GPA e St Marche, o que, segundo o executivo, provocou efeito em cascata no mercado, porque “No início, sofremos com o mercado de pequenos comércios. Quando viramos o canhão para grandes contas, o jogo mudou. É o efeito ganha-ganha: se as grandes marcas confiam, o ecossistema todo se sente seguro para aderir”.

Hoje, a rede soma mais de 5 mil estabelecimentos parceiros, em 118 cidades, sendo 14 capitais, e apresenta dados operacionais que reforçam a tese de valor: “Cerca de 60% dos dos pedidos são feitos para retirada na loja (pick-up), e mais da metade desses consumidores acabam comprando um produto adicional no estabelecimento”.

Com isso, a Food To Save não só reduziu desperdício e recuperou receita, como também posicionou seu produto como ferramenta de atração de clientes, ao mesmo tempo em que protege a saúde financeira de parceiros no varejo alimentar.