A Staged Ventures estruturou em março de 2024 um investimento em SpaceX no mercado secundário, a um valuation de US$ 186 bilhões, e optou por sair da posição em menos de dois anos, obtendo um retorno de 3,48 vezes sobre o capital alocado.
A decisão de vender antes de um eventual IPO gerou retorno equivalente a 77% ao ano para os investidores, segundo a gestora, comparação que o general partner da Staged, Flavio Pripas, coloca contra o benchmark do venture capital tradicional, que oferece acima de 35% nos melhores casos.
A proposta de saída foi levada à votação entre os investidores do veículo, com resultado apertado, 50,98% optaram pela venda, conforme informação divulgada pela Staged Ventures.
Por que não esperar pelo IPO
Para a Staged Ventures, a decisão de vender a posição em SpaceX seguiu uma lógica pragmática, baseado tanto no retorno quanto em riscos operacionais e regulatórios associados a uma companhia estratégica.
Flavio Pripas afirma que um retorno acima de três vezes já é considerado bastante fora da curva para esse mercado, e que esperar pelo IPO pode não ser a melhor alternativa devido a regras de lockup que impedem a venda de ações por meses após a abertura de capital.
O sócio cita o caso da Figma, quando houve forte valorização inicial no IPO seguida de queda enquanto investidores ainda estavam impedidos de negociar os papéis, para ilustrar os riscos de liquidez e timing ao aguardar a listagem.
Detalhes da operação e números exatos
A operação feita pela Staged no mercado secundário levou em conta um valuation inicial de US$ 186 bilhões em março de 2024, e a venda aconteceu quando a SpaceX foi avaliada em cerca de US$ 800 bilhões, gerando retorno de 3,48 vezes sobre o capital investido.
Segundo a gestora, esse ganho representou uma taxa anualizada de 77% ao ano para os cotistas do veículo, e a decisão final pela saída foi tomada em votação, vencida por uma margem mínima, 50,98% optaram pela venda.
A fabricante norte-americana de foguetes e satélites pretende realizar um IPO ainda este ano, com objetivo de arrecadar até US$ 50 bilhões, por meio de estrutura de ações de dupla classe, que permitiria a executivos como Elon Musk manter o controle da empresa.
Mercado secundário e o papel da Staged Ventures
A operação ilustra uma dinâmica ainda pouco comum no Brasil, a negociação de participações em empresas privadas por meio do mercado secundário, prática bem mais frequente nos Estados Unidos, especialmente em companhias de maior porte.
De acordo com Flavio Pripas, o principal diferencial para acessar esse tipo de oportunidade é o relacionamento, “a palavra-chave é acesso”, e a Staged nasceu justamente com a proposta de conectar investidores brasileiros a essas operações.
A gestora foi fundada entre o fim de 2022 e o início de 2023, e desde então já estruturou mais de US$ 30 milhões em investimentos para pessoas físicas, sempre por meio de veículos específicos por empresa, com meta interna de investir cerca de US$ 10 milhões por ano, distribuídos em duas ou três oportunidades.
Portfólio e lições para investidores
Além do investimento em SpaceX, a Staged também estruturou aportes na xAI, a empresa de inteligência artificial de Elon Musk, que foi adquirida pela SpaceX em um movimento surpreendente, “Fomos surpreendidos pelo M&A. O mercado norte-americano é tão dinâmico que acaba gerando esse tipo de oportunidade”, segundo Pripas.
Atualmente, a Staged possui seis empresas no portfólio, incluindo Digibee, Inyo, The Bakery e Cohesity, além da xAI e da SpaceX, cuja participação acabou de ser vendida.
O caso mostra que fundos brasileiros conseguem, com acesso e estrutura, capturar retornos relevantes no mercado pré-IPO por meio de operações secundárias, avaliando risco, liquidez e regras que podem atravancar uma saída tradicional via bolsa.