A confiança da indústria brasileira registrou melhora em fevereiro pelo terceiro mês seguido, com avanços na percepção sobre o momento atual e sobre os próximos meses.
Os indicadores mostram leve recuperação, mas analistas apontam que a manutenção de uma política monetária contracionista ainda pode limitar ganhos mais expressivos no curto prazo.
Informações detalhadas e as falas de especialistas foram divulgadas pela Fundação Getulio Vargas, conforme informação divulgada pela FGV.
Dados e indicadores
O Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 0,6 ponto em fevereiro na comparação com o mês anterior, para 96,7 pontos, de acordo com os dados da FGV.
O Índice de Situação Atual (ISA), que mede a percepção dos empresários sobre o momento presente do setor industrial, avançou 1,0 ponto em fevereiro, a 97,4 pontos.
Já o Índice de Expectativas (IE), indicador da percepção sobre os próximos meses, ganhou 0,3 ponto, a 96,0 pontos.
O que dizem os analistas
Em nota, o economista do FGV Ibre Stéfano Pacini chamou atenção para a cautela sobre a continuidade do movimento, ele afirmou, “Ainda é cedo para afirmar que esse resultado positivo da indústria se sustentará por muito tempo, considerando a política monetária contracionista que mantém o cenário macroeconômico desafiador”.
Pacini também ressaltou fatores que podem favorecer o setor, “Por outro lado, a possibilidade do início do ciclo de queda de juros, o mercado de trabalho, o câmbio apreciado e uma inflação mais próxima da meta se tornam aliados do setor industrial para os próximos meses”.
Estímulos e riscos para o próximo trimestre
O Banco Central manteve em janeiro a taxa básica de juros Selic em 15%, mas indicou redução em sua próxima reunião, em março, o que alimenta expectativas no mercado e entre industriais.
Apesar do otimismo, a FGV observa que a política monetária atual ainda é um fator limitante para uma recuperação mais robusta, e que a melhora nas expectativas está distribuída entre diferentes setores, com estoques em nível considerado normal.
Como disse Pacini, “Nas avaliações sobre o momento atual dos negócios, observa-se manutenção da normalidade de estoques e um ambiente de negócios mais favorável nesse mês. Nota-se que as perspectivas sobre os negócios são melhores num horizonte de tempo maior e de forma disseminada entre os setores”.
O que acompanhar
Para entender se a confiança da indústria no Brasil se consolidará, vale acompanhar a próxima decisão do Banco Central sobre a Selic, a evolução do mercado de trabalho, a trajetória da inflação e o comportamento do câmbio.
Esses fatores devem influenciar tanto o ICI quanto o ISA e o IE nos próximos meses, e serão determinantes para confirmar se a melhora observada em fevereiro se transformará em recuperação sustentável.