Uma votação marcada por confusão levou parlamentares do PT a apresentar fotos da sessão da CPMI para exigir a anulação de um pacote de requerimentos que inclui pedidos sobre o filho do presidente, conhecido como Lulinha, e de um ex-sócio do Banco Master.
Os governistas dizem que as imagens provam que havia maioria contra a aprovação dos 87 requerimentos, enquanto o presidente da CPI, senador Carlos Viana, contesta a contagem e afirma que o quórum válido era outro.
As informações sobre a votação e o impasse foram relatadas à imprensa, conforme informação divulgada pelo g1
Como foi a sessão e o voto em bloco
A confusão começou quando, por acordo dos governistas, a comissão decidiu votar os 87 requerimentos em bloco, ao invés de item por item, como pedia a oposição. A primeira votação foi nominal e terminou em 18 a 12, com alguns parlamentares participando de forma virtual.
Com o resultado nominal, a expectativa da oposição era de derrota, porque a estratégia governista impedia a análise individual dos pedidos que miravam movimentações financeiras de Fábio Luis.
Para pôr fim às críticas de que estariam blindando investigados, os petistas anunciaram que iriam bloquear a pauta até que fossem votados requerimentos sobre as contas do senador Flávio Bolsonaro e de governadores como Ibaneis Rocha e Cláudio Castro.
A votação simbólica e a contagem que gerou o impasse
Após aprovar o procedimento de votar os 87 pedidos em bloco, a comissão realizou uma segunda votação, desta vez simbólica, em que quem fosse contra deveria se levantar e quem fosse a favor permanecer sentado.
Segundo os governistas, 14 parlamentares se manifestaram contra o pacote, e eles exibiram fotos para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na tentativa de anular a votação. As imagens, de acordo com o grupo, seriam suficientes para rejeitar os pedidos.
O presidente da CPI, Carlos Viana, no entanto, disse que contou apenas sete contrários e declarou a aprovação dos requerimentos. Depois ele admitiu erro na contagem, mas manteve questionamento sobre qual seria o quórum válido.
Viana e a oposição afirmam que o quórum a ser considerado era o de 31 parlamentares, registrado na primeira votação, porque as deliberações ocorreram de forma conjunta. Ele disse, textualmente, “Naquele momento, dentro do procedimento que foi iniciado, o quórum era 31, como mostrava o painel. Eram necessários 16 votos, (Eles) não estavam em plenário.”
Reação do PT e possíveis desdobramentos
Na leitura do PT, por ser votação simbólica, valia o quórum dos presentes naquele momento, que, segundo o deputado Paulo Pimenta, somavam 21. Com esse número, os petistas afirmam que teriam obtido a maioria e, portanto, vitória no ponto sobre Lulinha.
Paulo Pimenta acusou irregularidade na contagem, ao afirmar, “O que aconteceu foi uma fraude na contagem de votos. Foi uma ação deliberada do presidente da comissão e vamos deliberar no Conselho de Ética contra ele por violação de um resultado de uma votação e uma atitude desonesta”, acusou Pimenta.
Nos bastidores, os governistas esperam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anule a votação a partir das imagens apresentadas. Caso Alcolumbre não intervenha, o PT não descarta recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
O que muda para a investigação sobre Lulinha
Se a votação for anulada, os requerimentos voltariam à pauta e poderiam ser analisados novamente, com impacto direto em pedidos sobre movimentações financeiras ligadas a Lulinha e a outras pessoas investigadas.
Enquanto a disputa sobre quórum e contagem segue, a CPI continua em funcionamento sob incerteza, e o presidente da comissão já pediu prorrogação dos trabalhos, que terminam oficialmente no fim de março.
O caso segue aberto, com confronto entre a versão apresentada pelas fotos dos petistas e a justificativa de procedimento do presidente Carlos Viana, e pode ganhar decisões do Conselho de Ética, do Senado ou do STF conforme os próximos passos.