Construção Civil Brasileira Sofre com Queda de Produtividade e Relevância Econômica

A construção civil brasileira, um dos pilares da economia do país, enfrenta um cenário preocupante de queda na produtividade e diminuição de sua participação no Produto Interno Bruto (PIB). Um estudo recente divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) lança luz sobre os fatores que levaram a esse declínio, comparando o desempenho atual com o de quase 30 anos atrás.

De acordo com a pesquisa, a relevância do setor na economia encolheu significativamente. Em 2013, a construção civil representava 6,4% do PIB nacional, mas esse número despencou para 3,6% em 2024. Paralelamente, a produtividade por trabalhador sofreu uma redução alarmante de 20,4% entre 1995 e 2024.

Esses dados, apresentados no estudo “Construção no Brasil: Agenda para Modernização do Setor”, evidenciam a necessidade urgente de uma profunda modernização nos processos produtivos. A CNI aponta para uma série de desafios estruturais que impactam diretamente a eficiência e o desempenho do setor.

Fatores que ExpliCam a Baixa Produtividade na Construção Civil

A análise da CNI identifica uma combinação de fatores que explicam a atual situação da construção civil. Entre os principais pontos estão a **elevada informalidade** no mercado de trabalho, a **baixa qualificação da mão de obra** e a **lenta incorporação de tecnologias digitais e práticas de gestão modernas**. Esses elementos criam um ciclo de ineficiência que afeta a produção.

Um dado alarmante é a informalidade. Em 2021, apenas 25% dos empregos no setor possuíam vínculo formal, um número drasticamente inferior aos 66% registrados na indústria de transformação. Além disso, a qualificação profissional também é um gargalo, com somente 7,8% dos trabalhadores da construção possuindo ensino superior.

A produtividade média por trabalhador em 2024 foi de R$ 41,3 mil anuais, menos da metade do observado na indústria de transformação. Comparando com o cenário internacional, o Brasil ainda está muito distante. Em 2021, a produtividade da construção brasileira era apenas 7% da registrada nos Estados Unidos, principal referência utilizada no estudo.

Construção Industrializada: Um Caminho para a Modernização e Eficiência

Diante desse cenário, a CNI aponta a **construção industrializada** como uma das principais alternativas para elevar a produtividade e reduzir custos no setor. Esse modelo busca transferir parte significativa da produção para ambientes controlados, como fábricas, permitindo a fabricação prévia de componentes que são posteriormente montados no canteiro de obras.

A adoção de sistemas industrializados pode trazer benefícios como a redução de desperdícios, o aumento da qualidade das obras e a aceleração na entrega de empreendimentos. Isso é crucial, especialmente considerando o déficit habitacional de 5,97 milhões de moradias e a necessidade de ampliar os investimentos em infraestrutura no país.

Existem diversas tecnologias de construção industrializada disponíveis no Brasil, como estruturas em aço, light steel frame, concreto pré-fabricado, wood frame, drywall e madeira engenheirada. Cada uma delas possui aplicações específicas, mas todas compartilham o potencial de **reduzir o tempo de execução e aumentar a padronização dos processos**.

Desafios na Adoção de Novas Tecnologias

Apesar das vantagens evidentes, a disseminação desses modelos ainda enfrenta barreiras. Uma pesquisa da FGV, citada pela CNI, revela que, embora 64,5% das empresas utilizem algum processo industrializado, em 58,4% dos casos, essas soluções estão presentes em no máximo metade das obras realizadas.

Para a CNI, a modernização da construção civil passa, impreterivelmente, pela maior **digitalização dos processos**, pela **qualificação da mão de obra**, pela **redução da informalidade** e pela **ampliação do uso de métodos construtivos industrializados**. Essas ações são fundamentais para garantir a competitividade do setor nos próximos anos.

O Futuro da Construção Civil Brasileira

O estudo da CNI reforça a necessidade de um esforço conjunto entre empresas, governo e instituições de ensino para implementar as mudanças necessárias. A incorporação de novas tecnologias e a melhoria das práticas de gestão são essenciais para reverter o quadro de baixa produtividade e impulsionar o crescimento do setor.

A aposta na construção industrializada, aliada à qualificação profissional e à digitalização, representa um caminho promissor para um setor mais eficiente, competitivo e capaz de atender às demandas da sociedade por moradia e infraestrutura de qualidade.

By Vanessa