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Crise no Irã impulsiona fuga para porto seguro, Wall Street adota ‘porto seguro primeiro, perguntas depois’, corrida a Treasuries, ouro e franco suíço

Crise no Irã amplia aversão ao risco, Wall Street privilegia ‘porto seguro primeiro, perguntas depois’, com petróleo, Treasuries e moedas no centro do nervosismo global

Os mercados reabriram em clima de cautela, com investidores buscando proteção imediata em ativos considerados seguros.

As posições em Treasuries, ouro e moeda forte aumentaram rapidamente, à medida que analistas e gestores recalibraram exposição a risco.

O sentimento dependerá de como evoluir o tráfego no Estreito de Ormuz e dos preços do petróleo, conforme informação divulgada pela Bloomberg.

Fuga para porto seguro e movimentos nos títulos

Na visão de John Briggs, chefe de estratégia de juros dos EUA na Natixis, a postura ficou clara, “porto seguro primeiro, perguntas depois”, com os investidores priorizando proteção imediata. Briggs observa que “a escala dos ataques e da retaliação iraniana é maior do que o mercado esperava”.

Os Treasuries já refletiram o choque inicial, com os yields de curto prazo recuando “para os menores níveis desde 2022” no movimento que teve início na sexta-feira, segundo gestores consultados.

Maxence Visseau, da Arkevium, projeta uma queda inicial de 5 a 10 pontos-base nos yields dos Treasuries, mas alerta que a dinâmica pode mudar se o petróleo subir de forma acelerada para patamares em torno de US$ 80 a US$ 90.

Risco no Estreito de Ormuz, fluxo de navios e impacto no petróleo

Um dos pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quarto do petróleo embarcado por via marítima, o que aumenta a sensibilidade dos mercados a qualquer interrupção.

Dave Mazza, da Roundhill Financial, sintetiza a preocupação, “Isso é sobre risco Ormuz, não sobre retaliação”, e acompanha de perto o fluxo de navios no estreito para medir a intensidade do choque.

Se o tráfego permanecer aberto, as ações podem absorver o choque, mas caso haja interrupção, “todos os cenários mudam”, dizem operadores.

Repercussão em ações, inflação e decisões do Fed

As avaliações de analistas mostram cenários variados, mas com tendência comum de maior aversão ao risco. O S&P 500 já recuou 0,4%, acumulando a maior queda mensal desde março, e o Brent fechou no maior nível desde julho.

Strategistas do Barclays alertaram contra a tentativa de “comprar o mergulho” rapidamente, argumentando que “os investidores se acostumaram a episódios geopolíticos que desaparecem rápido, mas este tem risco de durar mais”. Eles acrescentaram que “Se as ações recuarem o suficiente (algo como mais de 10% no S&P 500), pode surgir uma boa janela para comprar. Mas ainda não.”

Analistas destacam que um choque sustentado no petróleo pode criar um “susto inflacionário” de curto prazo, afetando expectativas sobre cortes de juros do Fed e pressionando setores de crescimento, em especial tecnologia.

Setores e sinais a observar nos próximos dias

Mercados de energia, metais, real estate, utilities e defesa tendem a liderar, enquanto consumo discricionário, aéreas e varejo podem sofrer com óleo mais caro e fechamentos de rotas.

No mundo das criptos, o Bitcoin recuperou para perto de US$ 68 mil, mas houve forte demanda por proteção, com opções de venda somando US$ 1,87 bilhão concentradas no strike de US$ 60 mil na Deribit.

Investidores devem acompanhar, em ordem de prioridade, a evolução do tráfego em Ormuz, o nível do Brent, dados de volatilidade nas moedas asiáticas e sinais das decisões de risco dos grandes gestores, para avaliar se a postura de “porto seguro primeiro” se manterá ou se abrirá espaço para realocação de risco.