Embasa contratou sem licitação a Ecoari, startup de Isadora Alencar, filha do senador Otto Alencar, para implantar três ecopontos digitais em Salvador, contrato via patrocínio até dezembro de 2026
A estatal Empresa Baiana de Águas e Saneamento, Embasa, assinou um contrato na modalidade de patrocínio com a Ecoari para instalação de três ecopontos digitais em Salvador.
O acordo foi firmado sem licitação, tem vigência até dezembro de 2026 e prevê pagamento de R$ 150 mil à empresa, segundo a documentação divulgada.
Nos termos da informação, a contratação seguiu avaliação técnica interna e trâmites legais, conforme informação divulgada pela Embasa e pela Folha de S.Paulo.
Detalhes do contrato e execução
O contrato, assinado em maio de 2026, foi feito na modalidade de patrocínio, que prevê a inexigibilidade de licitação, segundo a Embasa.
A estatal afirmou que a proposta foi submetida à avaliação técnica de uma comissão interna e que o pagamento está condicionado à comprovação das entregas previstas, “O pagamento do patrocínio está condicionado à comprovação do cumprimento das entregas previstas no projeto aprovado”, diz nota da Embasa.
A Ecoari, aplicativo que premia usuários por descartar material reciclável em pontos específicos, foi contratada para desenvolver programas de incentivo ao descarte correto de resíduos.
Relação da Ecoari com financiadores e alertas
A startup ganhou destaque após reportagem da Folha de S.Paulo revelar que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso pela Polícia Federal, financiou a Ecoari.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Coaf, recebeu alerta da B3, Bolsa de Valores do Brasil, sobre ativos custodiados pelo Master que eram incompatíveis com o porte da startup.
Isadora Alencar afirmou que as movimentações financeiras se tratam de “empréstimo regular”.
Posicionamentos e impactos políticos
A Ecoari justificou o projeto como medida para reduzir alagamentos e entupimentos de redes públicas de esgoto e drenagem, “São programas essenciais para reduzir ou mesmo evitar alagamentos e entupimentos de redes públicas de esgoto e drenagem fluvial, problemas que, com frequência, castigam boa parte da população de Salvador durante o período de chuvas”, diz a empresa em nota.
O senador Otto Alencar foi procurado pela reportagem e, segundo a fonte, não quis se manifestar sobre a contratação.
O caso levanta questões sobre a fiscalização de contratos sem licitação, vínculos entre empresas contratadas e agentes públicos, e a transparência na aplicação de recursos em projetos de incentivo ambiental, temas que podem ser acompanhados em desdobramentos futuros.

