O gabinete do vereador contratou uma firma vinculada ao seu antigo chefe para prestar serviços de comunicação e marketing, com repasses mensais regulares.
Os pagamentos somaram R$ 400 mil, distribuídos em 20 parcelas de R$ 20 mil, e constam em notas fiscais emitidas pela empresa do ex-vereador.
Conforme informação divulgada pelo Metrópoles
Como foram os pagamentos
As notas fiscais mostram que o gabinete destinou R$ 20 mil por mês para a empresa de consultoria do ex-vereador Fernando Holiday, totalizando R$ 400 mil. Os repasses ocorreram entre janeiro de 2024, início do mandato atual, e agosto de 2026.
O valor utilizado vem da cota parlamentar, verba prevista no regimento interno da Câmara Municipal, que concede a cada vereador cerca de R$ 35 mil por mês para cobrir custos com serviços gráficos, correios, assinaturas, deslocamentos e materiais de escritório.
Relação entre Pavanato e Holiday
Antes de assumir o mandato, o vereador foi assessor e chefe de gabinete de Holiday. Após eleito, os papéis se inverteram, com a empresa do ex-vereador prestando a assessoria de marketing para o gabinete.
O Metrópoles já havia mostrado que, entre 2023 e 2024, Pavanato recebeu R$ 127 mil em serviços de consultoria de marketing para o mandato de Holiday. A sequência de pagamentos chamou atenção por representar contratações cruzadas entre aliados.
Defesa do vereador e arquivamento
Em entrevista, Pavanato disse que a contratação está dentro das regras da Câmara e chamou Holiday de “marqueteiro de primeira“.
Ele afirmou, “Ele entende muito de marketing e comunicação. Foi vereador durante dois mandatos, tem formação, tem pós-graduação em ciência política e formação em história”.
O parlamentar também declarou que Holiday é “uma das figuras estratégicas mais importantes” do seu projeto político, e afirmou, “Então, eu pago ele sim, pago com muito gosto e eu quero ver se vocês também vão ter a mesma coerência e cobrar outros vereadores que gastam a mesma verba”.
Pavanato mencionou que a prática chegou a ser denunciada ao Ministério Público, mas que a promotora responsável arquivou o caso. Segundo o vereador, “Ela disse que está amplamente comprovado efetiva prestação de serviço, inclusive com gastos desempenhados pela própria empresa para que o serviço fosse prestado, ampla comprovação de relatórios, ampla entrega de resultados e tudo isso está comprovado”.
Contexto político e controle
O uso da cota parlamentar para contratação de serviços de comunicação é regularizado, porém suscita debate sobre conflitos e a proximidade entre prestador e contratado quando há laços políticos prévios.
O caso ilustra como recursos públicos de gabinete são empregados em assessoria, e levanta questões sobre transparência e fiscalização, temas que seguem em discussão no Legislativo municipal e na opinião pública.

