Empresários apresentam a Flávio Bolsonaro o voto distrital misto como alternativa ao crescimento de candidatos ‘influencers’, com salvaguardas técnicas e cronograma pactuado
Um grupo de empresários, comerciantes e economistas entregou ao senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, um documento com propostas para o próximo governo.
Entre as medidas, está a adoção do voto distrital misto, mudança que ganhou força após a eleição de candidatos com grande exposição nas redes sociais.
O material integra o Projeto Brasil do Amanhã, elaborado pela Fundação Gastão Vidigal e pela Associação Comercial de São Paulo, e também inclui propostas sobre ajuste fiscal, regras para o STF e fim da reeleição, conforme informação divulgada pelo Metrópoles.
Como funciona o voto distrital misto
No modelo de voto distrital misto, metade da Câmara seria composta por deputados mais votados em seus respectivos distritos, enquanto a outra metade seria eleita pelo sistema proporcional, como é hoje.
Segundo a ACSP, a mudança busca fortalecer o vínculo entre eleitor e parlamentar e corrigir a dispersão de campanhas pelo território.
Defesa da proposta e argumentos dos empresários
Em nota, a Associação Comercial de São Paulo trouxe a justificativa do projeto, com a seguinte formulação, informada pela entidade: “Das quatro propostas centrais do Projeto Brasil do Amanhã, a primeira fala sobre a representação política. O plano propõe a adoção do voto distrital, no qual parte da Câmara seria eleita em distritos, com um mecanismo de compensação capaz de manter a proporcionalidade entre votos e cadeiras. A premissa é que campanhas dispersas pelo território diluem o vínculo entre eleitor e parlamentar e enfraquecem a prestação de contas”.
A ACSP também destacou que o documento contou com a colaboração da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil e foi elaborado a partir de encontros realizados ao longo do ano.
Salvaguardas, cronograma e resistência política
Sobre a transição, a ACSP afirmou que “A transição obedeceria a salvaguardas. Os distritos seriam delimitados por critérios técnicos, com equilíbrio populacional e revisões periódicas, de modo a impedir desenhos de conveniência partidária. O cronograma de implantação seria pactuado com o Congresso e a Justiça Eleitoral”.
Parlamentares do PSD já discutem acelerar a tramitação de projetos sobre voto distrital misto, enquanto aliados de Flávio Bolsonaro dizem ver na mudança uma forma de reduzir o impacto do chamado “voto de internet”.
Contexto eleitoral e outros pontos do documento
O pedido do setor privado surge após a eleição de candidatos digitais que obtiveram grande votação, como Lucas Pavanato, citado no documento como “o segundo mais votado do Brasil com cerca de 3 milhões votos”, mesma votação alcançada por Nikolas Ferreira (PL-MG), ‘padrinho’ político de Pavanato.
Além do voto distrital misto, o documento entregue a Flávio Bolsonaro recomenda ajuste fiscal, idade mínima de 60 anos para ingresso no Supremo Tribunal Federal e nos tribunais de contas, e o fim da reeleição. A ACSP informou que o mesmo material também será encaminhado ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva.
O tema do voto distrital misto deve continuar em debate no Congresso, caso avanços na tramitação sejam buscados por líderes partidários e bancadas interessadas em redesenhar a representação parlamentar.