Conflito entre os Estados Unidos e o Tribunal Penal Internacional se intensifica após o Nobel da Paz a Navi Pillay, e Washington anuncia sanções e apelos a aliados
O governo dos Estados Unidos anunciou novas medidas punitivas contra o Tribunal Penal Internacional, em um movimento que marca nova escalada entre Washington e o tribunal.
A decisão veio horas depois de Navi Pillay, ex-juíza do tribunal, ser premiada com o Nobel da Paz de 2026, e reacendeu críticas do governo do presidente Trump ao papel do tribunal.
Conforme informação divulgada pelo governo dos Estados Unidos, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que as sanções visam proteger a soberania americana e impedir que cidadãos dos EUA sejam investigados pelo tribunal.
O que disse o governo dos EUA
Em pronunciamento oficial, o secretário de Estado Marco Rubio foi enfático ao justificar as sanções. Segundo ele, “Eles querem mais poder e eles querem ao custo da nossa soberania como uma nação. E o Presidente Trump nunca permitirá o Tribunal Internacional Penal perseguir cidadãos americanos. E é por isso que hoje os Estados Unidos estão sancionando o TPI. Nós vamos banir transações com esse tribunal desonesto”.
Rubio ainda afirmou que os EUA vão “continuar a campanha para desmantelar” o TPI, e pediu a países aliados que participam do tribunal que trabalhem “por soluções para encerrar essa ameaça à soberania dos EUA”. Essas declarações reiteram uma postura de pressão contínua do governo Trump contra o Tribunal Penal Internacional.
Resposta de Navi Pillay e a defesa do TPI
No discurso após receber o Nobel da Paz, Navi Pillay destacou a importância da justiça internacional e defendeu o papel do tribunal. Ela alertou que o direito internacional está sob “significativo ataque político”.
Pillay, que foi juíza do Tribunal Penal Internacional entre 2003 e 2008, reafirmou a relevância de mecanismos internacionais para responsabilizar crimes graves, e pediu proteção às instituições que promovem justiça além das fronteiras nacionais.
Impacto e próximos passos
As sanções americanas contra o Tribunal Penal Internacional podem incluir restrições financeiras e proibições de transações, medidas que já foram adotadas de forma recorrente pelo governo Trump em relação ao TPI.
Especialistas apontam que a escalada tende a aprofundar a divisão entre os EUA e países que apoiam o tribunal, além de colocar em foco debates sobre soberania, direito internacional e proteção a possíveis alvos de investigações.
Resta acompanhar agora como aliados dos EUA reagirão ao apelo de Washington e quais serão os efeitos práticos das sanções sobre o funcionamento e o financiamento do Tribunal Penal Internacional.

