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Flávio Bolsonaro vence em 86% dos locais de votação em áreas de milícias no Rio, foi o mais votado em 268 pontos e somou mais de 440 mil votos

Dados do TSE cruzados com o Mapa de Grupos Armados mostram Flávio Bolsonaro à frente em dezenas de locais do Rio, com números que levantam questões sobre influência de milícias e repasses

Flávio Bolsonaro obteve maioria em pontos de votação situados dentro de áreas catalogadas como de milícia na capital fluminense, segundo a apuração realizada a partir de dados oficiais e do mapeamento de grupos armados.

O levantamento indica discrepâncias territoriais claras no apoio aos candidatos, e também traz reclamos sobre decisões de gabinete ligadas a personagens do crime organizado, o que amplia o debate público sobre poder local e segurança.

As informações aqui descritas, com números e locais, são baseadas no cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral, com o Mapa de Grupos Armados, conforme informação divulgada pelo Metrópoles.

Resultados e números em áreas de milícia

Conforme o levantamento, Flávio foi o candidato mais votado em 268 locais de votação situados dentro de áreas controladas ou sob influência da milícia, enquanto Lula, por outro lado, liderou em apenas 43.

Os locais de votação em áreas de controle ou influência da milícia deram a Flávio Bolsonaro mais de 440 mil votos, enquanto Lula recebeu 318 mil votos nesses pontos, e na capital Flávio saiu na frente no 1º turno com 137 mil votos a mais que o rival.

Mapa, metodologia e fontes

As áreas de milícia no Rio de Janeiro estão catalogadas no Mapa de Grupos Armados, produzido e divulgado pelo Instituto Fogo Cruzado em parceria com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense, GENI-UFF, e os dados mais recentes são de 2024.

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O mapeamento foi cruzado com os resultados do Tribunal Superior Eleitoral para identificar os locais de votação dentro das áreas catalogadas, concentrados em grande parte na Zona Oeste da cidade.

Relações políticas e emenda a miliciano

O apurado também relaciona ações parlamentares, ao registrar que Flávio Bolsonaro destinou uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil para um projeto esportivo a pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, miliciano condenado por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco.

A emenda foi negociada em 2023 entre Peixe e Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar no gabinete de Flávio no Senado, e a Polícia Federal tem indícios de que o dinheiro da emenda foi desviado, segundo as apurações citadas.

Contexto político e histórico

O Rio de Janeiro é território tradicional de atuação política da família Bolsonaro, e é conhecida a relação de proximidade e a defesa da atuação das milícias pelo clã. Flávio Bolsonaro, inclusive, empregou a mãe e a mulher do miliciano Adriano da Nóbrega em seu gabinete, informação que integra o contexto das investigações.

Mensagens de WhatsApp trocadas entre Peixe e Maria de Fátima foram encontradas no celular do miliciano, apreendido quando ele passou a ser investigado pela morte de Marielle, em 2024, e constam nas apurações citadas.

Os números e fatos apresentados reforçam a necessidade de transparência sobre vínculos locais e impactos dessas dinâmicas nos resultados eleitorais, e devem alimentar investigações e debates públicos sobre democracia e segurança no Rio de Janeiro.

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