Aguarde, Carregando
Pular para o conteúdo

Galípolo: Sociedade Brasileira Não Tolera Mais Inflação, Fator Positivo para o Banco Central

Presidente do Banco Central celebra menor tolerância à inflação no Brasil e explica impactos na política monetária

A sociedade brasileira mudou e não aceita mais a inflação como antes. Essa constatação, feita pelo presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, é vista como um **avanço positivo** para a atuação da autoridade monetária. Ele ressaltou que não há algo melhor para um banqueiro central do que essa vigilância constante da população em relação à elevação dos preços.

Em evento promovido pela FGV, no Rio de Janeiro, Galípolo explicou que a pressão sobre os banqueiros centrais mudou. Antes, as críticas surgiam principalmente quando os juros subiam, afetando a popularidade de governantes. Agora, os críticos também se manifestam quando os juros são cortados de forma que possa gerar um aumento na inflação.

Essa nova postura da sociedade é um indicativo de que o cenário econômico do Brasil é diferente do observado em décadas passadas. A memória da hiperinflação ainda é forte, e a população demonstra estar mais atenta e exigente quanto à estabilidade dos preços. Essa vigilância popular, segundo Galípolo, é um **instrumento poderoso** para a manutenção da disciplina fiscal e monetária, conforme divulgado pelo BC.

A Virada da Sociedade Contra a Inflação

Galípolo citou que, inclusive, já houve avaliações por parte de economistas e membros do governo de que o ex-presidente Jair Bolsonaro pode não ter sido reeleito em 2022 devido a uma política de juros excessivamente baixos durante a pandemia, quando a taxa Selic chegou a 2%. Isso demonstra como as decisões do Banco Central, mesmo com boas intenções, podem ter **impactos políticos e sociais significativos**.

“Essa não é mais a sociedade dos anos 80, e as pesquisas, todos os tipos de informação que a gente tem mostram que esta é uma sociedade que não tolera mais inflação”, afirmou o presidente do BC. Essa declaração reforça a ideia de que a **conscientização sobre os malefícios da inflação** se tornou um pilar na percepção pública da economia.

Cautela na Condução da Política Monetária

O Banco Central iniciou em março um ciclo de “calibração” da taxa Selic, reduzindo-a em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A autoridade monetária defende que os juros permaneçam em um patamar restritivo, especialmente diante da elevação das incertezas globais, como a guerra no Irã. Essa abordagem reflete a **estratégia de cautela** adotada pelo BC.

Galípolo observou uma dissonância entre os dados econômicos positivos e a sensação de desconforto na sociedade. Ele explicou que isso pode ocorrer porque o BC foca na inflação em relação à meta, enquanto as pessoas sentem o impacto direto da alta dos preços em seu cotidiano, que subiram em ritmo mais forte do que os salários devido a choques recentes. O presidente Lula, por exemplo, enfrenta desafios de popularidade apesar de indicadores como inflação e desemprego estarem em níveis historicamente baixos.

Benefícios da Cautela e Desafios Atuais

A cautela na condução da política monetária, segundo Galípolo, permitiu que o BC enfrentasse em condições mais favoráveis o recente choque causado pela guerra no Irã. Essa abordagem possibilitou ao país um crescimento econômico mais próximo de seu potencial e uma taxa de câmbio “mais bem comportada”.

No entanto, o presidente do BC também expressou preocupação com o mercado de trabalho ainda “bastante apertado” e as expectativas de inflação “desancoradas”. A ideia de cautela, portanto, se resume a **tomar tempo para entender melhor os problemas** do ambiente econômico e, assim, “dar passos mais seguros” nas decisões futuras sobre a taxa Selic, sem sinalizar claramente os próximos movimentos.